terça-feira, 7 de dezembro de 2010

FAZ TUDO QUE ELE TE DISSER



FAZ TUDO QUE ELE TE DISSER

ORAÇÃO: Jesus, se ouvir a Imaculada "Faz tudo que Ele te disser", unindo-me ao Teu sacrifício minha alma viverá pela Cruz, em Ti

Porque me arrebatas, meu Amado Senhor do caminho do Gólgota, do caminho do Teu sacrifício de sangue, quando começo a caminhar para Te receber renovadamente, e as dores da minha alma se intensificam por saber caminhar para a Cruz onde Te matei com o pecado, com todos os meus pecados, com os pecados de todos, quando vejo que vou receber o Teu corpo por mim espancado, esbofeteado, atravessado de cravos, atravessado pela lança, ferido pela coroa de espinhos e com a pele arrancada pelo chicote?

Porque me arrebatas Senhor, quando a minha alma miserável se contrai em dor que merece sentir por Te ser infiel?

Porque me arrebatas, ao aproximar-me do Teu sacrifício eucarístico, diariamente renovado, ao qual tenho de estar presente, para contemplar o que Te fiz, e o que Tu permitiste que Te fizessem por amor à Vontade de Deus, por amor aos homens e para redenção, por amor a mim!

Tenho de estar presente e sentir esta caminhada como se a minha alma conseguisse dominar o meu corpo, possuída pelo amor do Teu Corpo Crucificado, esse Amor que nela colocaste e da qual é indigna, pois é rosa perfeita no meio de cardos, e precisa de Te saborear para regar de amor essas raízes da flor única do solo mau que sou?

Por que arrebatas, Senhor se junto à tua Cruz está a Tua dilacerada dor que é a de Tua Mãe, e punhais se espetam em mim arrancando carne e sangue, desfazendo o barro em dor lancinante quando sinto a dor da Virgem Imaculada e Santa aos Teus pés, a Mãe do Amor, que me deste por Mãe?

Que mais mereço eu senão esta dor?

Que alma merece mais ser vergastada senão a que se dilacera pelo pecado que cometeu, mas nele reincide?

Só o saborear do Teu corpo do Amor do Teu Sacrifício, pode revitalizar este caco que sou!

Sei que sou indigno, Senhor, mas para onde me arrebatas, para onde sinto que voo, levado não sei como quando comecei a caminhar para o altar, e me vi no caminho do Gólgota, para onde me levas agora, Jesus?

Entegro-me não pergunto mais, leva-me, eu nada sou, eu nada mereço saber, nada tenho que perguntar ao Que me Ama como Tu!

Antes espero que me leves e largues do alto do penhasco para cair nas labaredas onde mereço ficar, pelos momentos de não amor, que são tantos, e são momentos do maligno, pois o que é ele senão o não amor?

Terá chegado essa hora do meu juízo?

Angustia da minha alma que Te ama, e percebe finalmente o Inferno, não mais Te ver, ser condenada a vaguear no fundo do vale, solitária e fria, sem Amor, sem presença de Amor, e por isso sem mais contemplar Deus; apenas no vazio das almas que como ela se olham desnudas, e percebem a miséria eterna e lancinante do inferno, a ausência de Deus a que se condenaram elas mesmas, em vida!

Pois afastaram-se do Amor!

Comunhão das almas do inferno, é a dor reforçada por mim e por todas as que no fundo do vale se sentem amarguradamente culpadas de se terem negado a si mesmas à grandeza do banquete que já não vêem, um lugar à mesa do Cordeiro no seu Reino!

Sentem-se culpadas e comungam da culpa na dor que assim se torna crescente, porque partilhada porque somos todos iguais, todos Te negamos, todos fomos imperfeitos vezes demais, porque nos afastamos do Amor vezes de mais, e só vemos as memórias das vezes em que negamos o Amor, a quem dele precisava, desde logo a Ti, ao afastar-nos da Eucaristia, momento de celebrar o Teu Amor, o Amor máximo que vem no Verbo de Amor, e no Sacrifício Eucarístico do Verbo!

Quem foge do teu Templo, Jesus, foge do Amor que lá habita, que é o próprio AMOR, o único Amor, o Amor que foi posto em nós para se unir a esse Amor!

E quem mente, calunia, se exaspera, se irrita, se ira, se entrega à sedução que causa dor, se entrega aos vícios; quem insulta; quem se não contém nos excessos de hedonismo corpóreo; quem se julga melhor que os outros, por uma vez que seja; quem julga poder dispensar Deus, pois não se aconselha contigo antes de decidir o que for, tomando por certa a sua ciência; quem inveja nutre, quem cobiça os bens, quem se entrega ao material, ao corpóreo, ao táctil; quem no fim se subtrai ao teu perdão misericordioso, porque não o procura, antes procura desculpas para justificar o que fez, ou procura formas de perdão que negam a Tua Igreja; quem difama a doutrina, quem a nega, quem questiona; quem se entrega a esses devaneios da vã filosofia humana, quebra o amor contigo, Jesus, esquece-te, e por isso é lançado aqui onde todos vêem a podridão de todos, e todos percebem que podiam ter feito os horrores que vêem que os outros fizeram, e reconhecem neste vazio de amor os seus horrores, e desprezam-se de tal forma que eternamente gritam em silêncio, porque gritam quando já não adianta gritar, porque o tempo que lhes foi dado para se unirem ao Teu amor, gastaram-no a resolver as coisinhas mundanas que em nada Te engrandecem, antes os colocaram em conflito com irmãos, e os afastaram de Ti.

Jesus, que solidão e angústia me espera por todo o mal que Te fiz, e quanto a mereço!

Perdoa-me, eu não quero cair neste vale da dor eterna, onde vagueiam os que se separaram de Deus. Que posso eu fazer?

Que padeça em vida todas as penas, que seja em vida mais sofredor que Job, mas mantenha unido a Ti, e me mantenha perto do manto protector da Virgem Santa, para nela encontrar o consolo único, da que é Stabat Mater Dolorosa, e me ama como filho e me ampara nas dores do mundo, e me defende com a sua pureza de Amor etéreo, amor que envolve de tal maneira, que só pode nascer daquela alma que se dá por todos, e a todos, por Deus, por Ti, porque se prostrou como "humilde Serva do Senhor", e disse: "Faça-se em mim segundo Dizes!"

Senhor, quantas vezes repeti eu na vida, esse Fiat eterno de Maria Santíssima, esse Fiat que Te uniu, verdadeiro Homem e verdadeiro Deus, ao Pai no Getsémani, esse Fiat que levou a Virgem aos pés da Tua Cruz, cumprindo o seu destino de Te Amar infinitamente, como discípula, como Filha de Deus, como Mãe de Deus Filho, como Mãe do Homem Jesus, que era ali Cordeiro de Deus, aceitando oblativamente dar-se por todos os Homens; quantas vezes repeti eu na vida inconscientemente, essa oração sagrada das Tuas Palavras: "Seja feita a Vossa Vontade!" Sed Tua Fiat! E quão poucas ou nenhumas fiz de facto a Vontade de Deus!

Como posso ter por Mãe aquela que disse "Sim"?

Como posso ter por redentor o próprio Amor Sacrificado?

Que outro lugar mereço eu que o das almas que fizeram a vontade delas sempre e nunca a d'Aquele que as criou?

Que nunca em si encontraram a marca do Amor Trinitário, o Amor Divino que as tornava imagem e semelhança de Deus?

O Amor que dá a outra face, que dá o resto a quem rouba metade, que se despoja em total humildade, que abdica da vã e ignorante inteligência humana, para se colocar inteiramente ao serviço de Deus, mortificada na Cruz, por Amor a Ti!

Que suprema a arrogância a tentativa de compreensão, a ira contra as dores que neste mundo temos, como se devêssemos compreender Deus, quando ínfimos átomos somos, nada valendo perto do Logos que és!

Tu nos disseste: "Um dia compreenderás!"

E a nossa falta de Fé nos afastou da oração, nos levou a concluir — suprema dor que me arranca o coração do peito e o esmaga em carne podre e sangue negro da besta que deixei reinar em mim — que era ineficaz!

Como se nós ditássemos os tempos de resposta de Deus!

Como se soubéssemos o que é melhor para nós!

E sem oração, sem sacramentos, negando a última das misericórdias, como poderia a alma que se afastou da fonte donde jorra todo o amor, ser alma de Amor?

Senhor, quão tarde para entender, que só a verdadeira alma humilhada, a alma que se despoja, a alma do pobre de espírito que não regateia com Deus, antes aceita e cumpre a Sua Vontade, a Ela se unindo, pode ser alma de Amor, e aspirar a ser escolhida para o Reino!

A Nova Jerusalém!

Sinto-me o rico avarento, Jesus, irei tarde para mudar de vida?

Se estou sobre o vale dos condenados?

Amor da minha Alma, Jesus Crucificado, arrebatas-me de novo, sinto a alma pousar naquele caminho do Gólgota onde caminhava para te receber, no altar da Tua Cruz; sinto-me esmagado pela culpa e quero correr e fugir, porque não sou digno de Te receber, mas diante de mim já não é o altar que está, nem a Tua Santa Cruz: sinto-me envolto noutro lugar, a minha alma escuta liras e harpas, ouve risos e antevê, ao fundo da ala, a mesa dos comensais, não os comensais do Teu Reino, pois é uma mesa terrena, será o Altar?

Não, tem muitos comensais e os noivos ao centro, e de repente uma turbação parece tomar conta de mim, como se uma fonte enorme de amor estivesse a antecipar uma dor imensa, e a um canto vejo apenas uma mesa com um brilho resplandecente, o brilho dos que são tão belos que não os consigo ver, o brilho do Amor puríssimo, o Teu Brilho, Jesus, e o de Tua amantíssima Mãe; dentro de mim sinto que o brilho emana do brilho de Deus, e d'Aquela cuja alma já era tão alva que podia resplandecer o brilho de Deus!

Que turbação vem do Amor! O que pode angustiar a mesa que brilha? Será Caná este lugar?

Delirarei e estarei a imaginar as bodas?

Ouço dentro de mim a causa da turbação: a Santíssima Serva de Deus, Aquela que todos os séculos hão-de louvar, aperceber-se, ao Serviço de todos, como sempre esteve: "Não têm Vinho!"

Sinto dentro de minha alma as palavras que o Espírito Santo fez ficarem registadas, mas seria o vinho causa tal turbação?

E volto arrebatado para o altar da Igreja, ao pé do Alter Christus, volto arrebatado ao Gólgota, ao pé da Tua Cruz onde foste cravado, por todo o meu não amor, e uma luz vejo finalmente em Caná a dor de Tua Mãe, no pedido que te dirigiu, na mais simples súplica, antecipa a transformação da água em vinho, como na Eucaristia o Vinho é transformado por Ti no Teu Sangue, salvífico e inebriante de Amor, mas derramado no Gólgota, escorrendo no madeiro, pelo sacrifício do filho da mais pura, que terá antecipado em Caná, tudo meditando em seu coração, que a Tua hora que havia de chegar: era a hora da transformação do sangue humano, o Teu, o próprio sangue que corria em Maria, infundido com o Espírito Santo que nela Te concebeu, o Sangue do Amor, o sangue da Imaculada, o sangue do Espírito Santo, o Teu Sangue Jesus.

Tua Mãe percebeu que podia ser transformado em redenção, e tremeu na dor da memória de Simeão ao ver que a água que transformavas em vinho, era o Sangue salvífico que transformarias em redenção, quando do Teu lado jorrasse água e sangue, na união baptismal eterna!

Senhor quero atirar-me aos pés de Tua Mãe, a Imaculada, a que fora educada no templo, a mais pura dos humanos e a mais humilde alma, esse jardim de virtudes engalanado a ouro e pedras preciosas únicas, da Arca da Nova Aliança que é Maria Santíssima, a que começou em Caná a gerar novos Filhos para Ti, a eterna Senhora do Ó, quando Te pediu o milagre que o seu coração lhe ditou, movido pela sensibilidade ao Esposo eterno, a moção do Espírito Santo n'Ela, e pelo milagre que Te pediu, os discípulos acreditaram em Ti, como pelo Milagre do Profeta Jonas, que operarias a partir de Cruz, transformando o Sangue em água redentora do Espírito Santo, transformando a seiva da videira eterna que és, na redenção dos pecados, apagarias os pecados, e pela Tua morte nos trarias a vida na Ressurreição, de novo diante do olhar da Senhora do Ó!

A Senhora que no Cenáculo levou a maternidade Divina, ao nascimento da Igreja tornando-se eterna Mãe dos convertidos a Ti!

E de repente as palavras da Tua última ceia ecoam em mim: "Fazei isto em memória de Mim!", disseste ao partir o pão e o Vinho, antecipando a transubstanciação eucarística, o Teu sacrifício renovado de amor, que me esmaga a ama que se atira aos Teus pés, a alma que em simultâneo quer fugir, porque a indignidade de tomar na Eucaristia, de aceitar o renovar do Teu Sacrifício, é demasiado grande! Não mereço, Jesus, meu amado, minha Mãe, não sofram por um asco como eu, larguem-me no vazio das almas sem amor, onde eu mereço as penas eternas, pelas vezes que Te fiz subir à Cruz!

Jorro sangue por todos os lados dentro e fora do corpo: o maligno não suporta o Amor que envolve a Tua Cruz, a dádiva da dor do Teu Corpo, a presença da Tua Mãe, Nova Eva, que lhe pisou a cabeça, e a redenção que vem no Teu sangue que corre na alma dos homens, que Te tomam e se deixam entregar.

E eu deixo-me, porque no momento de fugir, no momento em que me sinto mais indigno, no momento em que sinto que não posso ser digno do sacrifício da Cruz, diante de mim, em minha alma ecoam as palavras de Tua Mãe: "Faz tudo como Ele te disser!", vindas das bodas de Caná, à Stabat Mater Dolorosa, e seguindo o teu pedido "Faz isto em memória de Mim!"

Jesus, que alegria incomensurável tomar-Te: o Teu Espírito fez-me ver que tenho de participar sempre do Teu sacrifício renovado, pois só Teu corpo e o Teu sangue redime, e só neles a minha alma se pode aproximar da Santa Cruz, e deixar reinar nela o Amor que já foi dor. Mas quando reinas Tu, a podridão desvanece-se toda, e toda a alma se torna jardim, se torna terreno fértil donde brotam timidamente flores, cada uma por cada homem, e a ma se enche de amor pelas flores, que são todos os homens, porque está cheia de Amor por Ti, e em todos te vê a Ti, e a Ti Te procura em todos!

Senhor eu nada sou, nada quero ser, despojo-me das vestes, do corpo dos bens, dos sentimentos e das ambições, e a Ti apenas me entrego, não mais fazendo do que devolvendo a alma que é Tua, para a Tua vontade reinar nela, e assim no seu jardim poder passear a mais bela e pura das criaturas humanas, a Imaculada Virgem Mãe, que me salvou nas palavras de Caná: “Faz tudo o que Ele te disser!” E o que Tu me dizes, é para te incorporar em mim na Hóstia, vivendo Tu em mim, e já não eu!

Senhor eu abdico de tudo, nada sou nada valho, vivo apenas para Ti, a minha alma abraça-se à Tua Cruz, possuída do sabor do Teu corpo comunica uma última ordem a si mesma e ao meu corpo, a ordem de obedecer por completo, de Ser apenas Tu, de Te deixar Reinar em Amor, de Te procurar eternamente no Gólgota, e se fazer crucificar despojando-se do medo da dor, pois muito maior é a dor eterna do não amor, do que a dor sublime da admissão dos pecados e da penitência, passando a viver purificada junto ao Teu Sacrifício, no aroma imaculado da Mãe e do Filho, que se estende desde Belém!

Nasce em Mim Jesus menino, e eu viverei para sempre apenas contigo em mim, para Tua vontade, e Tua Glória, dizendo e sentindo de verdade: SED TUA FIAT, e assim me podendo unir na Cruz, a Ti e à Mãe do Amor!

Obrigado, Mãe! Amo-Te, obrigado por me levares a infundir no meu resto de sangue o salvífico sangue de Cristo, que é Teu e é Amor, fazendo o que ele me Mandou!

Amém!


Carlos Santos, 6 de Dezembro de 2010
PUBLICADO POR NUNO ALVARES




fonte:http://mistica-e-misticos.blogspot.com/2010/12/faz-tudo-que-ele-te-disser.html