domingo, 15 de janeiro de 2012

Os católicos adoram os santos?

Os católicos adoram os santos?

Postado por Erick Ramon

"Pela tarde chegaram os dois anjos a Sodoma. Lot, que estava assentado à porta da cidade, ao vê-los, levantou-se e foi-lhes ao encontro e prostrou-se com o rosto por terra" (Gn 19,1).

Todo católico já deve ter sido interpelado por um protestante a respeito do uso das imagens na Igreja Católica. Suas perguntas nesta matéria sempre vêm com a acusação de que nós católicos somos idólatras porque fazemos uso das imagens. O mais interessante e também triste é que normalmente essas pessoas se dizem ex-católicas. E não me surpreendo em sempre verificar que foram “católicos” muito mal formados ou totalmente ignorantes da doutrina que dizem ter professado.

Será que esses ex-“católicos” já leram no Catecismo da Igreja Católica o ensino da Igreja sobre o uso das imagens? Lá encontramos:

2131. Com base no mistério do Verbo encarnado, o sétimo Concílio ecuménico, de Niceia (ano de 787) justificou, contra os iconoclastas, o culto dos ícones: dos de Cristo, e também dos da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os santos. Encarnando, o Filho de Deus inaugurou uma nova «economia» das imagens.

2132. O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, «a honra prestada a uma imagem remonta (63) ao modelo original» e «quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada» (64). A honra prestada às santas imagens é uma «veneração respeitosa», e não uma adoração, que só a Deus se deve:

«O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas olha-as sob o seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se detém nela, mas orienta-se para a realidade de que ela é imagem» (65).” (Catecismo da Igreja Católica, 2131-2132.)

Na Sagrada Escritura há outras passagens que condenam a confecção de imagens como, por exemplo: Lv 26,1; Dt 7,25; Sl 97,7 e etc. Mas também há outras passagens que defendem sua confecção como: Ex 25,17-22; 37,7-9; 41,18; Nm 21,8-9; 1Rs 6,23-29.32; 7,26-29.36; 8,7; 1Cr 28,18-19; 2Cr 3,7,10-14; 5,8; 1Sm 4,4 e etc.

Pode Deus infinitamente perfeito entrar em contradição consigo mesmo? É claro que não. E como podemos explicar esta aparente contradição na Bíblia? Isto é muito simples de ser explicado. Deus condena a idolatria e não a confecção de imagens. Quando o objetivo da imagem é representar um ídolo que vai roubar a adoração devida somente a Deus, ela é abominável. Porém quando é utilizada ao serviço de Deus, no auxílio à adoração a Deus, ela é uma benção.

"Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. Farás um querubin na extremidade de uma parte, e outro querubin na extremidade de outra parte; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele." (Ex 25,18-19)

"E disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente ardente e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo mordido que olhar para ela. E Moisés fez uma serpente de metal e pô-la sobre uma haste; e era que, mordendo alguma serpente a alguém, olhava para a serpente de metal e ficava vivo." (Nm 21,8-9)

"Este [Ezequias] tirou os altos, e quebrou as estátuas, e deitou abaixo os bosques e fez em pedaços a serpente de metal que Moisés fizera, porquanto até aquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso e lhe chamavam Neustã."(2Rs 18,4).

Embora a Bíblia mostre claramente em quais casos a confecção das imagens é permitida, os “leitores da bíblia” proíbem o uso das imagens em qualquer caso, desta forma extrapolando indevidamente o mandamento de Deus.



Ajoelhar-se e prostar-se é sempre adoração ou idolatria?

Dizem ainda que nós católicos somos idólatras porque nos ajoelhamos diante das imagens dos santos e lhe fazemos pedidos. Esta acusação demonstra uma tremenda ignorância por parte dos protestantes entre o culto de adoração (latria) e o culto de veneração (dulia). A própria Escritura que eles dizem conhecer e seguir dá testemunho da distinção entre as duas coisas.

Ajoelhar-se também é um sinal de reverência e veneração. Os súbitos devem prestar veneração pelos Reis, ou por uma autoridade suprema. O filho pelos pais, os alunos pelos professores e os discípulos pelo mestre. Tudo isso está em conformidade com a ordem estabelecida por Deus. Vejamos alguns exemplos na Sagrada Escritura:

"Pela terceira vez, mandou o rei [Ocozias da Samaria] um chefe com os seus cinqüenta homens, o qual, chegando aonde estava Elias, pôs-se de joelhos e suplicou-lhe, dizendo: Peço-te, ó homem de Deus, que a minha vida tenha algum valor aos teus olhos e a destes cinqüenta homens teus servos " (2Rs 1,13).

Na passagem acima um mensageiro do Rei Ocozias da Samaria põe-se de joelhos diante do Profeta Elias. Por que faz isso? Para suplicar-lhe que permita viver com seus cinqüenta companheiros de viagem, pois antes Elias mandou vir fogo do céu sobre duas equipes anteriores. O ato de súplica não é um ato de adoração, mas de humildade, de rebaixamento, onde se reconhece no outro sua superioridade ou seu poder de atender-lhe um pedido.

Nós católicos quando nos ajoelhamos diante das imagens dos santos e lhe fazemos pedidos, não estamos adorando ídolos, mas dirigindo nossa súplica aos nossos irmãos na fé que representados por suas imagens já se encontram na presença de Deus. O ajoelhar-se do católico aí é um ato de súplica e não de adoração. Com efeito, ensina o Catecismo da Igreja Católica”

956. A intercessão do santos. “Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por conseguinte, pela fraterna solicitude deles, nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (Lumen Gentium 49)

Será que os ex-“católicos” alguma vez leram este parágrafo do Catecismo? Sinceramente, eu duvido... Vejamos outro interessante testemunho da Escritura Sagrada:

"Abraão levantou os olhos e viu três homens de pé diante dele. Levantou-se no mesmo instante da entrada de sua tenda, veio-lhes ao encontro e prostrou-se por terra" (Gn 18,2).

O texto sagrado testemunha que Abraão prostra-se ao ver os três anjos do Senhor. Devemos acusar o Patriarca de idolatria? Obviamente que Abraão não estava adorando os anjos, pois se fosse este o caso eles o teriam repreendido, como fez o anjo que revelava o apocalipse a S. João (cf. Ap 22,8-9). Entretanto, Abraão estava prestando-lhes culto de reverência, reconhecendo a condição superior dos anjos de Deus.

"Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus" (Mt 5,19).

Ora, por acaso não são os santos exatamente aquelas pessoas que venceram na fé e que agora podem ser consideradas grandes no Reino dos Céus como ensinou Nosso Senhor? Cabe ainda lembrar que para o Senhor o menor no Reino do Céu é maior do que qualquer um que esteja vivendo na terra (cf. Mt 11,11).

Embora os atos de veneração e súplica sejam externamente iguais à reverência que se deve somente a Deus, internamente são coisas bem distintas e a própria Escritura Sagrada distingue bem as duas coisas. Mais alguns exemplos interessantes:

"Moisés saiu ao encontro de seu sogro, prostrou-se e beijou-o. Informaram-se mutuamente sobre a sua saúde e entraram na tenda" (Ex 18,7).

"Quando Abigail avistou Davi, desceu prontamente do jumento e prostrou-se com o rosto por terra diante dele" (1Sm 25,23).

Porém, alguém poderia levantar a seguinte objeção: “mas, os exemplos dados são de pessoas vivas venerando pessoas vivas e não mortas”. Primeiramente, isso não é totalmente verdade já que os anjos do Senhor não podem ser considerados “pessoas vivas”, mas seres espirituais. Em segundo lugar, os santos que estão no céu também são seres espirituais. Em terceiro, a Escritura dá testemunho da veneração do rei Saul ao profeta Samuel já falecido:

"Qual é o seu aspecto? É um ancião, envolto num manto. Saul compreendeu que era Samuel, e prostrou-se com o rosto por terra" (1Sm 28,14).

Mais sobre atos de veneração podem ser encontrados em Gn 23,12; Gn 33,3; Ex 18,7; 1Sm 25,41; 2Sm 9,6; 14,4.

Adorar é reconhecer a divindade e oferecer sacrifício

Deus condena a confecção de ídolos, pois o ídolo leva as pessoas a prestarem a ele o culto que só se deve a Deus: o culto de adoração. Adorar um ato de reconhecimento da divindade e oferecimento de sacrifício.

Os pagãos realmente adoravam seus ídolos, pois lhes reconheciam a divindade e lhes ofereciam sacrifício:

"Habitando os israelitas em Setim, entregaram-se à libertinagem com as filhas de Moab. Estas convidaram o povo aos sacrifícios de seus deuses, e o povo comeu e prostrou-se diante dos seus deuses" (Nm 25,1-2).

"Em vão Acaz tinha despojado o templo do Senhor, o palácio real e os príncipes para fazer presentes ao rei da Assíria. Tudo isso de nada lhe valeu. Embora estivesse angustiado, o rei Acaz continuou seus crimes contra o Senhor. Oferecia sacrifícios aos deuses de Damasco, que o tinham derrotado: São, dizia ele, os deuses dos reis da Síria que lhes vêm em auxílio; oferecer-lhes-ei, portanto, sacrifícios para que me ajudem igualmente. Mas foram a causa de sua queda e de todo o Israel" (2Cr 28,21-23).

No segundo livro dos Reis encontramos o conceito completo de idolatria por meio de sua condenação:

"O Senhor tinha feito com eles uma aliança e lhes tinha dado a seguinte ordem: Não adorareis outros deuses, nem vos prostrareis diante deles; não lhes prestareis culto, e não lhes oferecereis sacrifícios" (2Rs 17,35).

Os pagãos prostravam-se diante de seus ídolos não para reconhecerem neles instrumentos e servos de Deus de condição superior a nossa e que são capazes de interceder por nós junto a Deus, mas crendo que eram deuses verdadeiros e portanto capazes de eles mesmos realizarem milagres.

Em 2Rs 17,35 Deus apresenta a doutrina em sentido negativo. No versículo seguinte encontramos o conceito da verdadeira adoração:

"Mas temei ao Senhor que vos tirou do Egito com o poder de seu braço. A ele temereis, diante dele vos prostrareis e a ele oferecereis os vossos sacrifícios" (2Rs 17,36).

Somente a Deus devemos nos prostrar reconhecendo-lhe a divindade e oferecendo-lhe o sacrifício devido.

Os verdadeiros idólatras de nosso tempo são aqueles que oferecem sacrifício de animais (geralmente galinhas e carneiros) aos seus falsos deuses. Os protestantes não adoram a Deus, apenas o louvam. Seu culto é apenas um culto de louvor e não de adoração. Só no catolicismo se adora a Deus, pois na Santa Missa é oferecido a Deus o cordeiro imaculado que é Nosso Senhor Jesus Cristo, conforme sua própria prescrição (cf. Mt 14,22-25; Lc 22,17-20; 1Cor 11,23-29).

FONTE:http://vocacionadosdedeusemaria.blogspot.com/2012/01/os-catolicos-adoram-os-santos.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+Vocacionadosdedeusemaria+%28Vocacionados+Menores%29&utm_content=Yahoo%21+Mail

sábado, 14 de janeiro de 2012

Governo reconhece a importância das ações da Pastoral da Juventude

Governo reconhece a importância das ações da Pastoral da Juventude

10enpj
O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, enviou uma carta aos participantes do 10º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude (ENPJ), na qual reconhece a importância das ações desenvolvidas pela Pastoral da Juventude (PJ). De acordo com o ministro, “têm especial relevância as ações da PJ, em conjunto com outras pastorais, contra a violência de que são vítimas os jovens negros em nosso país”.
Em sua carta, o ministro destaca o trabalho da PJ realizado há três décadas, bem como a luta em favor da juventude brasileira. O ministro parabenizou a Pastoral da Juventude pela participação na articulação da 2ª Conferência Nacional de Juventude realizada em dezembro do ano passado, em Brasília.
“Envio os meus votos de que esse Encontro Nacional da PJ seja espaço profícuo, onde se fortaleçam as vossas convicções em defesa da vida da juventude e de um Brasil livre das injustiças e das misérias”, concluiu o ministro.

Marcha contra a violência

O 10º ENPJ teve início no último domingo, 8, em Maringá (PR), e conta com a presença de mais de 600 jovens representando as dioceses brasileiras. A programação segue até o dia 15 com palestras, trabalhos em grupo e celebrações. Hoje, 11, as assessorias são sobre os temas Concílio Vaticano II e Projeto de Revitalização da Pastoral Juvenil Latino Americana.
No sábado, 14, após a celebração de encerramento, os participantes do encontro farão uma marcha da Campanha Nacional Contra a Violência e o Extermínio de Jovens. A concentração será a partir das 17:30h no estacionamento do estádio Willie Davis, no centro de Maringá.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A vida só será respeitada no momento em que nos rendermos a sua beleza!

A vida só será respeitada no momento em que nos rendermos a sua beleza!

Blog dos teólogos
Sex, 11 de Novembro de 2011 06:10
"São insensatos por natureza todos os homens que ignoram a Deus, os que, partindo dos bens visíveis, não foram capazes de conhecer aquele que é; nem tampouco, pela consideração das obras, chegaram a reconhecer o Artífice." (Sb 13,1)
Deus-_Michelangelo_2Nossa! Que dizer além disso? Precisamos de mais Metafísica! Olhar além das aparências, buscar as essências e além delas o Criador! Que hoje, extasiados pela natureza que nos cerca possamos ver a beleza infinitamente superior de quem a Criou!
Acho que boa parte dos problemas do nosso mundo estão relacionados com nossa incapacidade de admirar a beleza e de se enamorar dela. Quando contemplamos por exemplo o mistério e a beleza de uma vida nascente - verdadeiro espetáculo misterioso e irrepetível que ocorre oculto aos olhos humanos no seio da mãe, mas que a ciência permite em parte contemplar - me pergunto como não nos enamoramos da beleza? Como não contemplar essa maravilha da natureza que se produz e desenvolve segundo desígnios para nós ainda de todo não revelados? Mais: como não pensar em Deus, verdadeiro realizador dessa magnífica obra humana? Como maquinar muitas vezes a destruição dessa beleza que não nos pertence, pois não a fizemos? Como pensar que destruí-la significa liberdade e bem? Como é possível transformar o que deveria ser amável em objeto de medo, de ameaça, de ódio a ponto de achar melhor sua eliminação que acolhida?
Estamos ainda muito enamorados do que somos capazes de fazer, das nossas próprias produções, que não podemos ver o Artífice maior? Nossa capacidade é somente análoga a d'Ele, nós transformamos e Ele faz do nada! Nosso olhar egoísta nos coloca cegos ao Criador e na medida que não o reconhecemos perdemos o sentido do que somos, pois nossa verdade depende essencialmente do reconhecimento d'Aquele que nos criou. A vida só será respeitada no momento em que nos rendermos a sua beleza!
Aos que se perderam num materialismo ou num naturalismo que não transcende a Escritura exorta: "Se, encantados por sua beleza, tomaram estas criaturas por deuses, reconheçam quanto o seu Senhor está acima delas: pois foi o autor da beleza quem as criou. Se ficaram maravilhados com o seu poder e a sua atividade, concluam daí quanto mais poderoso é aquele que as formou: de fato, partindo da grandeza e da beleza das criaturas, pode-se chegar a ver, por analogia, aquele que as criou." (Sb 13, 3-5). Que possamos buscar essa Beleza Criadora, possamos amá-la, seguí-la, comungá-la! Para que nos aproximando d'Ela possamos reconhecer verdadeiramente o que há de belo em nós, por nos assemelhar-mos a Ela.
Boa contemplação para todos!
Pe. Eduardo Peters

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

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O pecado original - segunda parte

O pecado original - segunda parte
 
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Deus, no paraíso, amaldiçoou a serpente (o demônio), mas não o homem. Adão e Eva Ele castigou. Prosseguindo a narrativa, Deus disse à mulher: "Multiplicarei os teus sofrimentos, principalmente os do parto; darás à luz em meio à dor e estarás sob o poder do marido e ele te dominará". E disse ao homem: "... maldita seja a terra por causa de ti; à custa de trabalho penoso é que dela tirarás o teu alimento, até que voltes à terra de que foste tomado, porque tu és pó e em pó te hás de tornar".

Assim como a serpente recebeu a maldição no lugar de Eva, a terra recebeu-a em lugar de Adão, sendo que a do demônio foi mantida e a da terra foi retirada, conforme se vê na própria Bíblia, quando, mais tarde, Deus dirigiu-se a Noé.

Analisemos a parte referente à mulher. Já houve quem observasse que Adão foi tentado pro uma criatura semelhante a ele, ao passo que Eva o foi por um ser superior a ela, o que atenua sua culpa. No entanto, Moisés, o autor do Gênesis, pertencia a uma cultura em que a mulher era considerada inferior ao homem, o que, naturalmente, influênciou sua narrativa.

Foi precisamente o Cristianismo o porta-voz da Boa Nova, o realizador das promessas e símbolos do Antigo Testamento, que primeiro realçou a dignidade da mulher. Pois se é verdade que o homem cedeu ao pecado mediante as palavras tentadoras de sua mulher, também é verdade que obteve o caminho da salvação por intermédio da palavra de outra mulher. Ao não de Eva (pois ela negou-se a obedecer) opõe-se o Sim de Maria (na submissão à vontade divina).

Ainda, a propósito, é bom frisar o seguinte: para que Eva caísse foi necessária a ação do demônio, mas, para a queda do homem, bastou a má influência da mulher. Isso tem sentido. Todos sabemos como é forte a persuasão feminina. Quando a mulher se corrompe, corrompe-se a família, a sociedade, a pátria, o mundo. Os que pretendem solapar os valores morais degradam e servem-se da mulher para atingir os seus objetivos. Diabolicamente, eles sabem o que fazem - embora a mulher neste caso, em sua mãos, não passe de um joguete.

Para a sua perfeita realização, e para a do homem e da sociedade, a mulher deve renunciar a Eva e aproximar-se de Maria.

Quanto ao castigo do homem, não seria preciso recorrer à Bíblia para verificar que o pecado (nosso e alheio), dificulta a luta pela vida. Comendo um fruto proibido, o homem pecou - agora, precisa de esforço para colher os bons frutos que lhe são oferecidos. Mas a palavra de ordem "dominai a terra" não foi retirada, assim como não lhe foram retirados os dons naturais.

Com inteligência e vontade, à custa de sacrifícios, o homem tem progredido. As conquistas da técnica, facilitando o trabalho humano, são boas. Como são bons os conhecimentos no campo da ciência. O importante é que o homem considere essa vitórias como meios que o levem a Deus e não como fins em si ou meios de destruição e pecado (afastamento de Deus).

Ainda segundo a Bíblia, após o pecado (original), "O Senhor Deus fez para Adão e sua mulher túnicas de pele, com as quais os revestiu". Portanto, para que o homem cobrisse sua nudez (despojamento da graça) houve derramamento de sangue, algum animal foi sacrificado. Mais tarde, no Novo Testamento, S. João Batista apresentaria Jesus ao povo judaico, como sendo "o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", e tem profundo sentido e perfeita relação como o pecado original a frase de S. Paulo diria tantos anos mais tarde: "Revesti-vos de Cristo".

Por fim, diz a Sagrada Escritura que, após o pecado, Deus expulsou Adão e diante do Paraíso pôs um anjo brandindo uma espada de fogo. Maria, a antítese de Eva, é, também, poeticamente, chamada de "Jardim fechado". De fato, em seu seio, por obra do Espírito Santo, germinou a semente divina. E o anúncio desse milagre, de sua maternidade virginal, foi-lhe dado por um anjo. Agora, é um anjo (talvez, o mesmo) que, como mensageiro do Altíssimo, se curva diante da mulher bendita entre todas, da predestinada a ser mãe do Salvador. Abre-se o mais belo dos "jardins fechados" e um Novo Paraíso desponta para a humanidade.

Antigo Testamento

Imagem do Novo

Eva dialoga com o demônio

Maria dialoga com o anjo

Há falsa amizade entre Eva e o demônio

Há verdadeira amizade entre Deus e Maria

O Homem peca pelo orgulho

Jesus, o Salvador dos homens, é o "manso e humilde de coração"

Adão desobedece – e o homem se perde

Jesus faz-se "obediente até a morte"- e o homem se salva

Comendo o fruto proibido, o homem peca

Agora, com sacrifício, come os frutos lícitos

Desobedecendo, Adão prova o doce fruto

Obedecendo até a morte, Cristo prova fel e vinagre

Adão estende seus braços para a árvore – e isto é perdição

Cristo estende seus braços para a cruz (da madeira, da árvore) – e isto é salvação.

Na "hora das trevas", o homem se despe da graça

Na hora das trevas, Jesus é despido – para revestir o homem de graça

A tarde, "na hora das trevas" (porque havia trevas em seu coração), o homem peca.

Para remir o homem, à tarde, Jesus é crucificado

Naquela hora (das trevas), no Paraíso, dando as costas a Deus, Adão e Eva começaram a crucificar Jesus

Á tarde, é crucificado Aquele que disse: "O que me segue não anda em trevas"

Num jardim (o Paraíso), o homem peca.

Num jardim (das Oliveiras) Jesus o salva.

Um anjo fecha o Paraíso

Um anjo abre outro (o seio de Maria)

Para vestir Adão e Eva, um animal é morto

Para revestir o homem da graça, Jesus, "o Cordeiro de Deus", é crucificado

Segundo uma lenda, o crânio de Adão foi sepultado no monte Gólgota

No monte Gólgota, o sangue da cabeça de Cristo o lavou.

Eva é a primeira mãe dos homens

Numa Segunda ordem – restaurada – Maria é a primeira Mãe

O pecado original - primeira parte

O pecado original - primeira parte
 
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No paraíso, destacam-se duas árvores: a árvore da vida e a árvore da conhecimento do bem e do mal. Gratuitamente ornado por magníficos dons de Deus, Adão foi submetido a uma prova: "Não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal".

"Conhecer o bem e o mal", significa poder determinar para si mesmo o que é bom e o que é mau, sem o esforço que é próprio do homem, mas intuitivamente, como um anjo ou como Deus ("Sereis como Deuses"). Por aquele preceito, o Senhor Deus indicava que o homem não devia cobiçar uma perfeição superior à sua natureza, ou seja, não devia desejar um bem de modo que ultrapassasse as suas forças, isto é, de um modo desordenado. O primeiro pecado constitui em querer uma coisa boa (a semelhança com Deus), mas desordenamente, contra a ordem de Deus.

O homem fora criado como rei, senhor do mundo. Deus, impondo-lhe um preceito, lembrava-lhe que, apesar disso, como criatura, devia sujeitar-se a alguém. Deus queria a sua obediência – e tinha o direito a isso. E o homem, obedecendo, seria feliz.

Mas... por inveja, o demônio tentou-o.

Eis como a Bíblia narra a queda do homem: "A serpente disse à mulher: ‘Por que vos mandou Deus que não comêsseis de toda a árvore do paraíso? Respondeu-lhe a mulher: ‘Nós comemos do fruto das árvores que estão no paraíso. Mas do fruto da árvore que está no meio, Deus nos mandou que não comêssemos e nem a toçassemos a fim de não morrermos. Porém, a serpente disse à mulher: ‘Vós de nenhum modo morrereis. Mas Deus sabe que, em qualquer dia que comerdes dele, os vossos olhos se abrirão e sereis com deuses, conhecendo o bem e o mal".

A própria Bíblia identifica com o demônio esta serpente. O Livro da Sabedoria, por exemplo, depois de afirmar que "Deus criou o homem imortal", acrescenta: "Mas, por inveja do demônio, entrou no mundo a morte" (Sb 2, 24). Jesus refere-se ao demônio como "homicida desde o início, mentiroso e pai da mentira" (Jo 8, 44). E o Apocalipse fala no "grande dragão" que se opõe à outra mulher (à Igreja) como "a antiga serpente que se chama Diabo e Satanás, que seduz a terra inteira" (Ap 12, 9).

Note-se que os bens espirituais são desejáveis. O bem da semelhança com Deus, pelo conhecimento perfeito de si mesmo, era sedutor – no Evangelho, o próprio Jesus nos convida a "sermos perfeitos como nosso Pai". O erro estava na soberba, e em querer ser como Deus, contra Deus ou sem Ele.

Prosseguindo a narrativa: "A mulher viu o que o fruto da árvore era bom ao paladar. Agradável de aspecto e valioso para abri o entendimento; tomou, pois do fruto e o comeu; deu-o, também, ao marido, que estava com ela, e este o comeu. Então, os olhos de ambos se abriram; perceberam que estavam nus, e, entrelaçando folhas de figueira, fizeram cinturões para si. Então ouviram o ruído do Senhor Deus, que passeava no jardim à brisa do dia. O homem e a mulher se ocultaram aos olhos do Senhor Deus por entre as árvores do jardim.

O Senhor Deus, porém, chamou o homem e disse-lhe. ‘Onde estás’ Este respondeu: ‘Ouvi o ruído dos vossos passos no jardim: tive medo, porque estou nu, e escondi-me’. O Senhor Deus disse: ‘Quem te revelou que estás nú? Terás comido do fruto da árvore que te proibi de provar?’ O homem respondeu: ‘A mulher que puseste comigo apresentou-me o fruto da árvore, e comi-o.’ O Senhor Deus disse à mulher: Por que fizeste isso?’ – ‘A serpente me enganou, repondeu ela, e comi."

Certamente, antes do pecado, Adão e Eva estavam nus. Estavam, porém, vestidos com a graça de Deus. Por isso, a nudez não os pertubava. Depois do pecado, "os olhos se abriram" e, despidos da graça, olharam-se com vergonha. Então, cobriram-se com "folhas de figueira", folhas ásperas, desagradáveis (sinal da necessidade de penitência).

O autor Sagrado destaca a familiaridade das relações entre Deus e o homem, quando este lhe voltava as costas. Vemos o contraste entre o comportamento do Criador, Amigo, Companheiro, e o da criatura, infiel e indigna daquela amizade. Apresentando Deus como se ignorasse o que havia acontecido, o autor pretende resaltar o quanto Ele tinha motivo para não esperar aquela atitude do homem. Note-se a desordem interior e o obscurecimento da inteligência produzidos pela pecado: ambos se esconderam de Deus... – como se isso fosse possível.

No diálogo, o homem se desculpa, acusando a mulher – e esta faz o mesmo, acusando a serpente. Aliás, Adão não perde a oportunidade de frisar: a mulher que o tentara, lhe fora dada por Deus... Estão ai, bem caracterizadas, a covardia, a ingratidão, a insolência, a mentira. Nenhum dos, dois se refere ao motivo da desobediência: o amor próprio exaltado, o orgulho na ambição de ser como Deus (ainda que contra Deus).

É necessário esclarecer que o pecado de Adão e Eva não foi de origem sexual. Deus é coerente: não lhes daria o sexo proibindo-lhes o seu uso (dentro da lei natural, estabelecida por Deus). É bastante conhecida a frase: "Crecei e multiplica-vos", dita antes da queda. O pecado se chama original, por ser o primeiro, por ser o princípio e a origem de nssos males – pois o pecado é o mal.

Note-se ainda, que o pecado desuniu Adão e Eva. Com o rompimento das relações com Deus, as relações humanas – consigo mesmo e com os outros – tornaram-se difíceis. Assim como a graça de Deus é harmonia, equilíbrio, paz, amor – o pecado (afastamento de Deus) é a desordem, a divisão já dentro do próprio homem, como, também, desequilíbrio, discórdia, ódio, guerra entre os homens.

Segundo, então, a ordem inversa do interrogatório, Deus começa por amaldiçoar a serpente: "Serás maldita entre os animais (...), andarás de rastro (...). E estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, ente a tua linhagem e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu hás de lhe ferir o calcanhar".

Quanto ao sentido da últimas frases, ali está a primeira promessa do Salvador. Deus é a Justiça e Misericórdia. Opondo-se à falsa amizade entre Eva e a serpente, está predita uma verdadeira inimizade entre o demônio e a outra mulher (Maria). Esta, a mãe de outra linhagem, por aplicação antecedente dos méritos de de seu Filho Jesus, foi imaculada desde a sua concepção. Jamais o demônio teve sobre ela algum poder, ao contrário do que acontece com os "degregados filhos de Eva".

Porque, exceto Jesus e Maria, todos somos concebidos em pecado (original). Como filhos de pais riquíssimos que perderam sua fortuna, nascemos na miséria (do pecado). Com o pecado original, Adão e Eva perderam os dons sobrenaturais e preternaturais e tiveram enfraquecidos os naturais. O pecado original, ainda que indiretamente, atingiu a própria natureza de Adão – e, por isso, nós o herdamos.

Jesus (o 2º. Adão) veio, pela graça, resgatar a natureza humana, reatar o vínculo da justiça – a preço de sangue. Instigando os judeus a crucificá-lo, o demônio feriu o Salvador, mas, nessa mesma hora, feria-se a si mesmo, porque, pela cruz, viria a salvação. Assim o demônio feriu Cristo "no calcanhar", mas Este "o feriu na cabeça".

E, quanto a nós, também o combate é sangrento. A própria Virgem Maria, Rainha do Céu e dos Anjos, também é a Senhora das Dores. Já agora, como herdeiros de Cristo, como filhos de Maria, podemos, na ventura da graça, no conforto da Fé, na vida em união com Deus, na paz interior, encontrar algo do paraíso perdido – mas isso tem um preço: o sacrifício, o domínio de si mesmo, a vitória sobre o orgulho, sobre o orgulho que vitimou nossos primeiro pais. Só assim teremos, na terra, uma antevisão da felicidade prometida no céu. Esperar ser feliz de outro modo é insensatez.

Porém, no combate, não estamos sós. Pelo Batismo, recebemos a graça de Deus – que jamais nos desampara. E a Imaculada Conceição – aquela que representamos esmagando uma serpente – é, também, O Auxilio dos cristãos, a Consoladora dos aflitos, o Refúgio dos pecadores. Cada vez que damos ouvidos à tentação, imitamos Eva, Eva imprudente, que se entregou contemplando o fruto proibido, deleitando-se, deixando-se envolver (em vez de desprezar o tentador). Cada vez, que reagimos, esmagamos a serpente, embora esta nos moleste, embora nos fira o calcanhar – porque a luta exige sacrifício. Mas, não estamos sós.

Cristo, na cruz, além de se entregar por nós, deu-nos, também, Sua Mãe que sensivelmente, nos protege. Exemplo : Na frança, em 27 de novembro de 1830, a irmã de Caridade Catarina Labouré encontra-se na capela, em oração. Envolta, num círculo em que se distinguiam as palavras "Oh, Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós", a Virgem lhe apareceu, dizendo-lhe : "Mande cunhar uma medalha conforme este modelo.

Todos aqueles que a trouxerem alcançarão graças". A medalha foi cunhada. E inúmeras graças são concedidas aos que nela confiam, razão por que passou a chamar-se "Medalha Milagrosa".

Além dessa oportunidade, são inúmeras as vezes, que Maria tem-se manifestado aos homens. Sempre pedindo oração e penitência, sempre exortando aos bons costumes, à concórdia, à virtude. Sempre extravasando seu amor de Mãe zelosa pela salvação de seus filhos.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Juízo final

O Juízo final
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Ao tratarmos de nosso fim, lembremo-nos de nossa origem. No capítulo sobre a criação e a queda do homem, a morte é um castigo (Gn 3, 19).


"Porque Deus criou o homem imortal, e o fez à sua imagem e semelhança. Mas, por inveja do demônio, entrou no mundo a morte" (Sb 2, 23-24). "Assim como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também passou a morte a todos os homens, por aquele em quem todos pecaram". (Rm 5, 12).


Havia, no paraíso, duas árvores: a do Conhecimento do bem e do mal e a Árvore da Vida. Em relação à primeira, o homem pecou, despindo-se da graça, perdendo sua condição privilegiada.


Vestido, então, com a pele de um animal (Símbolo do Cordeiro que derramaria Seu sangue para revesti-lo mais dignamente), foi expulso do Paraíso, para que não estendesse a sua mão também para a Árvore da Vida, imortalizando-se em sua nudez (Gn 3, 22).


Mesmo agora, apesar de restaurados pelo sacrifício de Cristo, não nos convém a imortalidade. Realmente, a morte é castigo – mas castigo de Pai.


Morremos para alcançarmos um destino melhor. Contudo, a morte nos repugna. E é natural. Feitos para a imortalidade, custa-nos aceitá-la. A fé é necessária. Muita fé.


(Por favor Clique nos links logo abaixo, são muito importantes para entendermos melhor o tesouro que nos aguarda, se de agora por diante nos convertermos e seguirmos a Cristo, por amor a Ele).


Preparando-se para o Encontro


Embora poucos detenham na morte seu pensamento – atitude, aliás, que não nos livra dela. Mais prudente seria pensar no assunto – porque nossa alma é imortal.


"O pó voltará a ser pó, mas a alma – espiritual – é incorruptível. E cada um será julgado conforme suas obras. "Todos os homens hão de morrer e o juízo há de acompanhar a morte" (Hb 9, 27).


"A árvore para no lugar onde caiu" (Ecl 11, 3). Por isso, é importante morrer em estado de graça, isto é, morrer revestido de Cristo. Todo o mais é secundário. "De que adianta ao homem possuir o mundo e perder a própria alma?"


Como "não sabemos o dia nem a hora", a Sabedoria consiste em sempre estar preparado. Somos todos julgados logo após a morte. É o juízo particular. Penetrando na eternidade, apresentamo-nos diante do Rei – e nossa veste deve ser branca (Mt 22, 1s).


Por isso, devemos viver bem para morrer bem. Assim, a morte não apavora. Em vez de medo, há confiança. E os santos – que podem ser definidos como as pessoas que sabem viver – em vez de tristeza, têm alegria.


É bom que não saibamos o dia de nossa morte. Para estarmos sempre prontos. "Estai preparados porque o Filho do Homem virá na hora que ignorais" (Mt 24, 44).


"A morte é terrível para o pecador, mas não para o justo". "O justo, na morte, é uma árvore que tomba para produzir, na eternidade, frutos ainda mais belos; o pecador é a árvore cortada na raiz para ser jogada ao fogo"


A alma se fixa no estado em que se encontra. Não escolhemos a hora da morte – mas escolhemos o modo de vida (ou de morte) de nossa alma. Todos somos predestinados ao Céu – Deus quer que a salvação de todos. Mas não nos obriga a querer o mesmo.


Após a morte, Deus nos pedirá contas de nossa administração (Lc 16, 22). S. Mateus fala que daremos conta até das palavras inúteis (Mt 12, 36).


"Todos compareceremos ante o tribunal de Cristo" (Rm 14, 10). "Cada um receberá a sua recompensa, conforme o seu trabalho" (1Cor 3, 8) "está estabelecido que os homens morrem uma só vez e, depois disso, venha o juízo" (HB 9, 27).


Céu, Inferno e Purgatório


Logo após a morte, estaremos no Céu. Inferno ou Purgatório. No Céu ou no Inferno, permaneceremos eternamente; no Purgatório, a permanência é temporária


No Céu ficarão os que morrerem com a alma absolutamente sem mancha a que já tiverem pago os seus pecados aqui na terra. No inferno ficarão os que morrerem em pecado mortal. Neste caso a alma já está morta para a eternidade. Porque a Graça de Deus é a vida da alma; o pecado é a sua morte. Por isso, quem morre em pecado (mortal) entra na eternidade já com a morte na alma.


A alma se fixa no estado em que se encontrar – estado livremente escolhido, Não é, pois, Deus, quem conduz ao Inferno – é ela que para lá se encaminha, por ter preferido as trevas à luz.


Pouca gente gosta de falar no Inferno. Mas Jesus falou nele. "A árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo" (Mt 3, 10). Parábolas falam do joio que será lançado ao fogo e dos peixes maus que serão postos fora (Mt 13, 24-30, 47-50).


Igualmente, a das núpcias do filho do rei (Mt 22, 1-14), a das dez virgens (Mt 25, 1-13), a dos talentos (Mt 25, 14-30), a da árvore que não dá frutos (Mt 7, 17-19), a do rico avarento (Lc 16, 19-31) etc, não deixam dúvida quanto à sua existência.


No purgatório ficam os que morrem sem pecado mortal, isto é, com a alma viva, mas tendo, ainda, necessidade de purificação e resgate de pecados cometidos. Do Purgatório passa-se para o Céu. Também, a esse respeito, há referências no Novo Testamento.


S. Mateus (Mt 12, 32) fala também dos pecados contra o Espírito Santo que "não serão perdoados nem neste século, nem no futuro" (pecado contra o Espírito Santo é a consciente e voluntária recusa à conversão – portanto, a consciente e voluntária escolha do Inferno.)


Alem disso, Jesus fala de uma prisão donde "não se sairá antes de Ter pago a última moeda" (Mt 5, 26). Na parábola dos devedores, o servo mau foi entregue à justiça "até que pagasse toda a dívida"- e Jesus esclarece: "Assim também vos tratará meu Pai celestial" (Mt 18, 23-25).


O Céu, Inferno e Purgatório, mais propriamente que lugares, são estados d’alma. "Quando os anjos e os santos visitam aqui na terra, eles não cessam de estar no Céu, porque eles não podem ser privados da visão de Deus". Nossos anjos da guarda, sempre junto de nós, vivem no Céu (Mt 18, 10). Aliás, já aqui na terra, temos uma pequena amostra disso. O santo carrega o Céu dentro de si. Mesmo nos piores sofrimentos, lá na profundidade de sua alma, permanece a Esperança – Esperança que lhe dá Paz, que lhe dá Alegria.


O inverso acontece ao pecador. Mesmo com saúde e riqueza, gozando dos ditos "prazeres deste mundo", se ele pára de se atordoar ou de se entorpecer, sente o vazio de sua vida, a ausência de Deus e, por conseguinte, o tédio, a insatisfação, o desespero.


No meio termo vive a maioria de nós: no Purgatório.


Nosso destino não se consome aqui. Disse Jesus a Pilatos: "Meu Reino não é deste mundo" "Senhor, lembrai-vos de mim quando estiverdes em vosso Reino", disse o bom ladrão. O Céu é nossa verdadeira pátria; aqui, somos estrangeiros. . (Hf 13, 14).


Para o Céu fomos criados. Porque Deus é nosso princípio e nosso fim, só em Deus nos realizamos plenamente. Temos em nós alma imortal, com inteligência e vontade. Respectivamente, essas faculdades têm por objetivo a Verdade e o Bem


Verdade e Bem que, em sua plenitude, se encontram em Deus. A felicidade, no Céu, consiste na contemplação e posse de Deus, isto é, contemplação e posse da Verdade, Beleza e Amor. Por isso, só em Deus seremos plenamente felizes, plenamente realizados. Para que se chegue ao Céu é preciso morrer já levando-o dentro de si – é preciso morrer em estado de graça, em união com Deus.


O Juízo Particular e o Universal 


Além do juízo particular, logo após a morte de cada um de nós, haverá o Juízo Universal, coletivo, no fim do mundo. Tanto o Antigo como o Novo testamento fazem referências a este assunto. O capítulo 5 do Livro da Sabedoria é inteiramente dedicado ao juízo final.


Isaías (66, 18) diz : "Eu virei recolher as suas obras e os seus pensamentos e reuni-los com todas as gentes e línguas; e eles comparecerão, todos, e verão a minha glória". Nos Atos dos Apóstolos (1, 11) vê-se que, logo após a Ascensão, foi anunciada, por dois anjos, a volta de Jesus, como juiz. S. Mateus, no capítulo 24, e S. Lucas no capítulo 21, discorrem, longamente sobre o assunto.


No juízo final, o julgamento será definitivo – depois dele haverá, somente, Céu e Inferno. O mundo, com matéria, certamente, acabará. Mas quando e como será o fim do mundo, não o sabemos. "Nem os anjos sabem".


O importante, porém, é vivermos preparados. Preparados para encontrar o Juiz, o verdadeiro Juiz de nossa vida, o Absolutamente Justo, o que penetra em nossos pensamentos, nossas intenções, sabe de nossas fraquezas e misérias.


No último dia, haverá a ressurreição da carne. Marta, irmã de Lázaro, não ignorava isso (Jo 11, 24). Jó também o sabia (19, 25), assim como os irmão Macabeus (2Mc 7, 11), Isaías (26, 19), Daniel (13, 2). E o próprio Jesus o ensinou (Mt 22, 23-33; Jo 11, 25) – e Ele mesmo, como também o predissera, no terceiro dia após a Sua morte, ressuscitou glorioso.


Jesus já está, portanto, no Céu, em corpo e alma. Junto dele, por Ter sido concebida sem o pecado original, também se encontra Maria – de quem a Igreja ensina que adormeceu (podendo Ter morrido) e, pelos anjos, foi transportada ao Céu (é a sua Assunção).


No último dia, os corpos dos justos ressuscitarão gloriosos, semelhantes ao de Jesus ressuscitado. Os justos ressuscitarão para a glória e os réprobos para o seu opróbrio. É uma questão de justiça. O homem inteiro é corpo e alma. O corpo participa de nossa vida pecaminosa ou virtuosa.


Como homens, agimos de corpo e alma. O importante é que o corpo obedeça à alma e esta obedeça a Deus. Como bons filhos, obedecendo a Deus, nada teremos a temer: a morte será o encontro com o melhor dos pais – o Pai do Céu.


Antes do fim do mundo, já julgadas em juízo particular, as almas dos defuntos aguardarão a ressurreição dos corpos. "Não foi sem razão muito harmoniosa que a Sabedoria divina decretou retribuir separadamente às almas e os corpos: já que cada alma se origina por criação direta e particular de Deus, é conveniente que a cada alma toque a sua sorte eterna logo que se torne capaz de ser julgada sobre os seus méritos e deméritos;


Lembra-nos S. Tomás que, os homens, considerados como indivíduos corpóreos, têm uma certa continuidade entre si, pois isto é próprio da corporeidade (At 17, 26). Porém, as almas, Deus as cria uma por uma; donde se seque que a glorificação simultânea das almas não é de tanta conveniência como a glorificação simultânea dos corpos. Além disso a gloria do corpo não é tão essencial quanto a da alma.


A profissão de um duplo juízo (particular e universal), não significa, pois, que Deus duas vezes sentencie o homem, mas é uma única sentença que é feita em ocasiões diferentes.


O Juízo Universal acontecerá para que tudo o que foi oculto seja posto às claras. Para a vergonha do pecador e glória do justo. Tudo o que foi encoberto será conhecido. Toda a verdade será conhecida. Por todos. Será a hora da perfeita reabilitação dos caluniados, difamados, injustiçados. Estes nada perdem por esperar. O tempo passa. O tempo é breve.


A justiça de Deus é absoluta. E irrompe da eternidade. 


Porém, o mais importante, para cada um de nós, é o juízo particular. A hora da morte, hora da passagem do tempo para a eternidade, é o momento mais importante de nossa vida.


Por isso, devemos viver de modo que tudo nos sirva de meio para a conquista do Céu.


"Se a tua mão ou o teu pé te escandaliza, corta-o e lança-o fora de ti: melhor te é entrar na vida manco ou aleijado, do que, tendo duas mão ou dois pés, ser lançado no fogo eterno" (Mt 18 , 8).


Normalmente, não precisamos chegar a esses extremos, mas, às vezes, precisamos chegar a outros que podem ser maiores: a renúncia a um amor ilícito, ou a uma posição social brilhante etc.


Estamos aqui de passagem e, por mais que vivamos, o tempo nada é em relação à eternidade. Salvar a alma – eis o que importa. Para isso, viver em união com Deus – Deus que é nosso princípio e nosso fim. Viver com Ele para com Ele morrer – e, então, realmente, conquistar a Vida.


Qualidades dos Corpos Ressuscitados


De acordo com a Sagrada Escritura, os corpos ressuscitados terão as seguintes qualidades:


Identidade


Cada homem ressuscitará em seu próprio corpo. "Este corpo corruptível se revestirá de incorruptibilidade; este corpo mortal, de imortalidade" (1Cor 15, 53).


"No último dia ressurgirei da terra e serei novamente revestido da minha pele, e na minha própria carne verei o meu Deus" (Jó 19, 25-26).


Aliás, estas citações são válidas, também, como argumento contra a utopia da reencarnação. Para cada corpo Deus cria uma alma que, com ela, viverá na eternidade.


Impassibilidade ou incorruptibilidade


O corpo "é semeado na corrupção, e há de ressurgir incorruptível" (1Cor 15, 42).


Integridade 


Tanto justos como réprobos possuirão todos os órgãos e membros, todas as faculdades que o corpo humano, por natureza, possui, mesmo que tenham sido mutilados ou disformes, neste mundo. Conservarão, inclusive, a distinção de sexos – que pertence à natureza humana, como Deus a criou. Porém, órgãos que só têm função nas circunstâncias de vida terrestre, em corpos ressuscitados deverão ser como um revestimento para harmonia e integridade.


"Seremos semelhantes aos anjos" (Lc 20, 34s).


Essas três qualidades serão comuns aos corpos tanto dos justos como dos réprobos.


os justos terão ainda:


Fulgor 


"Os justos resplandecerão como o sol" (Mt 13, 43).


Agilidade


Os corpos gloriosos se locomoverão com presteza, sem cansaço nem obstáculo.


Sutilidade


Como Jesus ressuscitado entrou no cenáculo, com as portas fechadas, os corpos gloriosos poderão fazer o mesmo (Jo 20, 19).


Contudo...


Os réprobos, ao contrário, por terem recusado a restauração trazida por Cristo, terão os seus corpos:


"Passíveis ou sujeitos à dor;


Obscuros ou tenebrosos, como imagens hediondas do mais escuro e deplorável estado de alma;


Pesados ou dificilmente sujeitos à locomoção e crassos ou resistentes aos impulsos da alma;


Em uma palavra, serão a expressão fiel da horrenda situação produzida na alma pelo ódio a Deus".




Limbo


Inicialmente, deve-se estabelecer a diferença entre Limbo dos pais e Limbo das crianças.


O primeiro eqüivale à "mansão dos mortos", onde os justos do Antigo Testamento aguardavam a Redenção. Após o sacrifício de Cristo, possibilitando o ingresso no Céu, este Limbo deixou de existir. Era, em linguagem Bíblica, o "Seio de Abraão".


Quanto ao limbo das crianças, não há, na Sagrada Escritura, referência a seu respeito. No entanto, apesar de a Igreja nunca ter definido a sua existência, desde os tempos de S. Agostinho (430), admitiu-se o limbo como lugar destinado às crianças mortas sem Batismo.


Seria um "inferno mitigado". Porém, outro ponto destacado é o de que "Deus quer que se salvem todos os homens" (1Tm 2, 4), acrescido da especial preferencia de Jesus pela crianças. "O vosso Pai, que está nos céus, não quer que se perca nem mesmo um destes pequeninos" – (Mt 18, 14).


Assim, admitem aqueles teólogos que "a oração da Igreja por todas as necessidades da humanidade" e "o oferecimento que os pais façam de seus filhos moribundos a Deus" podem suprir os efeitos do batismo, como admitem também que:


"O sofrimento e a morte das criancinhas não batizadas são, em virtude da paixão voluntária de Cristo, um "quase-sacramento" de reconciliação, um certo batismo de penitência, que supre o batismo de água".


Apesar desta concepção, o sacramento do Batismo fica sendo a via normal instituída por Cristo para prover à Salvação dos homens; afastar-se voluntariamente dessa via é temerário, é tentar a Deus. Cumpram, pois, os genitores e pastores de almas as suas partes, proporcionando sem demora o batismo aos pequeninos.


Comentário Final 


Encerremos este assunto, ainda com uma referência ao Céu, onde, segundo o próprio Jesus disse, "há várias moradas". Essa "moradas" ou graus de felicidade correspondem ao grau de santidade de cada um. É certo que qualquer pessoa que morre em estado de graça terá o Céu. Mas qualquer pessoa não é S. Francisco ou S. Teresinha. Cabe, aqui na terra, a cada um, alargar a sua visão.


Já houve quem se servisse das imagens de dedal e balde. O primeiro, com um pouco d'água, o segundo, com muita, ambos ficam repletos, saciados. Cabe-nos procurar ter a largueza de um ou outro. No Céu, a felicidade é completa - para cada pessoa. Todos são saciados - de acordo com sua sede.


Cabe a cada um de nós aumentar sua receptividade à vida divina, abrir-se mais ao Bem, à Verdade, à Beleza, procurar ser um "vaso de eleição" com a profundidade de um grande amor.




fonte:http://www.catequisar.com.br/texto/materia/dout/lv01/26.htm#