terça-feira, 22 de junho de 2010

DENOMINAÇÕES PROTESTANTES

DENOMINAÇÕES PROTESTANTES
Dom Estevão Bettencourt 

É de crer que, se os cristãos conhecessem melhor a história das denominações protestantes, não adeririam tão facilmente a elas ou as deixariam sem demora, porque perceberiam que são obras de homens que se opõem à intenção de Jesus Cristo; principalmente os católicos não se tornariam protestantes, pois, assim procedendo, abandonam a única Igreja fundada por Jesus Cristo para aderir a comunidades fundadas por homens, quinze ou mais séculos após Jesus. 

Será a mesma coisa seguir Jesus Cristo e seguir um "profeta" do século XVI ou XVII? 

Precisamos, para facilitar aos cristãos a tomada de consciência do hiato histórico que intercede entre Jesus Cristo e as denominações protestantes, publicar a tabela seguinte: 

Denominação Fundador Data/Local 

Católica Jesus Cristo 30 - Palestina 

Luterana Martinho Lutero 1517 - Alemanha 

Episcopal (Anglicana) rei Henrique VIII 1534 - Inglaterra 

Reformada (Calvinista) João Calvino 1541 - Suiça 

Menonita Meano Simons 1550 - Holanda 

Presbiteriana John Knox 1567 - Escócia 

Congregacional Robert Browee 1580 - Inglaterra 

Batista John Smith 1604 - Holanda 

Quacker John Fox 1649 - EUA 

Metodista John Wesley 1739 - Inglaterra 

Mórmon Joseph Smith 1830 - EUA 

Adventista Willian Miller 1831 - EUA 

Exército da Salvação Willian/ Catarina Booth 1885 - Inglaterra 

Ciência Cristã Mary Backer 1675 - EUA 

Pentecostais Charles Parham e discípulos 1900 - EUA 

Testemunhas de Jeová Charles Taze Russell 1916 - EUA 

Amigos do Homem Alexandre Freytag 1920 - Suiça 

Universal do Reino de Deus Edir Macedo Bezerra 1977 - Brasil 

Observações 

1. A tabela, ainda que não seja exaustiva, mostra como as denominações protestantes que hoje em dia fazem adeptos no Brasil, estão distantes de Jesus Cristo na linha da história. Antes do século XVI não se falava de Confissão Luterana; antes do século XX não se falava de Assembléia de Deus, Comunidade "Nova Vida", Igreja Socorrista", etc. Não foi Jesus Cristo quem deu origem a tais organizações, mas foram pastores humanos, dos quais alguns disseram ter recebido revelações mais recentes do que as de Jesus Cristo; tal é o caso de Joseph Smith (Mórmons), Charles Taze Russell e Rutherford (Testemunhas de Jeová), Alexandre Freytag (Amigos do Homem)... Quanto mais recente é a denominação protestante, mais tende a trocar o Novo Testamento pelo Antigo, chamando Deus pelo nome de Jeová, negando a Divindade de Cristo e a SS. Trindade, observando o sábado em lugar do domingo, etc. 

2. Na raiz de todo este esfacelamento do Cristianismo está o princípio, estipulado por Lutero, segundo o qual a Bíblia deve ser interpretada por cada leitor em "livre exam"; o que quer dizer: cada qual sente e entende a Bíblia como bem lhe pareça; em conseqüência, tira as conclusões que julga adequadas, sem orientação da Igreja. É compreensível que tal princípio, coerentemente aplicado, tenha levado e leve o Protestantismo a se autodestruir cada vez mais, dividindo-se e subdividindo-se em comunidades, das quais as posteriores pretendem sempre reformar as anteriores e são reformadas pelas subseqüentes. Os membros de tais comunidades reformadas seguem tão somente o alvitre subjetivo e imaginoso de um "profeta", e não mais a Palavra de Jesus Cristo como tal. Este fundou uma só Igreja, que Ele confiou a Pedro, dando-lhe garantia de sua assistência infalível até a consumação dos séculos. 

3. Talvez, porém, alguém objete que a Igreja fundada por Cristo não tem suas falhas e não necessita de purificação e renovação? É certo que, onde existem seres humanos (e na Igreja eles existem), existe a fragilidade; esta, sem dúvida, exige purificação. Todavia a purificação da Igreja há de se fazer sem ruptura com o passado, sem perda de contato com a linhagem apostólica e a fonte "Jesus Cristo". Qualquer quebra nessa linha é mortal, pois faz da nova comunidade uma obra meramente humana, separada do seu manancial autêntico; a tal comunidade já não se aplica a Palavra, de Cristo, em Mt 28,18-20: "Estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos". A própria Igreja de Cristo, a Igreja Católica, sabe tirar do bojo da sua vitalidade o remédio aos males morais que acometem seus filhos; a Igreja é a Mãe solícita de curar as chagas que os seus filhos lhe infligem à revelia da própria Mãe. Na verdade, o católico peca, porque se afasta dos ensinamentos e da vida da Igreja. 

4. Aliás, a razão pela qual não se pode conceber Reforma da Igreja fundada por Cristo (mas apenas reformas em setores disciplinares da mesma), é o próprio conceito de Igreja. Esta não é uma República (como afirmavam reformadores do século XVI), nem é uma sociedade meramente humana, mas é o sacramento que continua o mistério da Encarnação; é Jesus Cristo prolongado em seu corpo através dos séculos - o que significa que, por debaixo da veste humana e defectível que os homens dão à Igreja, existe o próprio Cristo presente com sua autoridade, e indefectibilidade; esta presença atuante de Cristo garante a todos quantos se chegam a Ele na Igreja, a santificação e a vida eterna; é Ele quem batiza, é Ele quem consagra o pão e o vinho, é Ele quem absolve os pecados. Consciente dessa presença indefectível de Cristo na Igreja, podia São Paulo dizer que "Cristo amou a Igreja e se entregou por ela... para apresentar a si mesmo a Igreja gloriosa sem manchas nem rugas ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef 5,25-27). Com efeito, a Igreja é santa não por causa da oscilante santidade dos homens que a integram, mas por causa da presença do Santo de Deus ou de Cristo que nela se encontra. Por isso não toca a homem algum refazer a Igreja ou recomeçá-la, mas compete-lhe apenas zelar para que a face externa da Esposa de Cristo seja purificada das falhas que os homens lhe impõem. 

Refletindo sobre estas verdades, os fiéis católicos hão de se recordar das palavras do Apóstolo São Paulo, que hoje parecem mais oportunas ainda do que nos tempos da Igreja nascente: 

"Rogo-vos, irmãos, que estejais alertas contra os que causam divisões e escândalos contrários à doutrina que aprendestes; afastai-vos deles" (Rm 16,17). 

"Alcancemos todos nós a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, o estado de Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo. Assim não seremos mais crianças, joguetes das ondas, agitados por todo vento de doutrina, presos pela artimanha dos homens e da sua astúcia, que nos induz em erro" (Ef 4,13s).


FONTE: COMUN. SHALOM



 "Homens da Galiléia, porque ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que vos acaba de ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu. (At 1,11) " 
EXISTEM MAIS DE 33.800 DENOMINAÇÕES PROTESTANTES

 

FALSIFICADORES DA PALAVRA DE DEUS


               “Não somos como aqueles muitos que falsificam a palavra de Deus; é, antes, com sinceridade, como enviados de Deus, que falamos na presença de Deus, em Cristo’’ (2 Cor 2,17). 
                  Ainda hoje não se sabe se certas telas do pinto holandês do século XVII Jan Vermeer, comprada por fortunas por alguns respeitados museus e por colecionador milionário, são verdadeiras. Pois os falsários estão por aí e um dos maiores foi Hanvan Meegeren (1889-1947), retratado em detalhes neste ‘’Eu fui Vermeer – lenda do falsário Que Enganou os Nazistas‘’ do escritor, tradutor e jornalista irlandês Frank Wynne.

               Mais do que contar a história de Van Meegeren – a infância oprimida por um pai que execrava seu talento artístico, as obras anacrônicas na juventude (o modernismo eclodia na Europa), as primeiras falsificações, os enriquecimentos, a dependência de drogas, a prisão sob acusação de ter fornecido obras holandesas aos nazistas depois que se descobriu que havia vendido um Veermer (falsificado, naturalmente) a Goering, o marechal do Terceiro Reich, e o julgamento -, Wynne desveda como é o minucioso trabalho de peritos na autenticação de uma obra, além de despertar a reflexão sobre o que faz, afinal um trabalhador ser considerado uma obra-prima.

             Isto porque o financiamento de Van Meegeren na “arte” de falsificar era tão grande e enganou tantos especialistas ao longo dos anos que, mesmo após confessar ser autor das falsificações, teve de pintar um ‘’Vermeer’’ para um júri. Sua obra, mais do que a de qualquer outro falsário, abalou os alicerces de um universo dependente da autenticação de peritos’’, escreveu Wynne (1).

             Nosso tempo é marcado pelo apogeu das heresias e pela indústria da falsificação da palavra de Deus. Tudo isto se deve ao capitalismo da teologia da prosperidade, ao mundo gospel e ao culto a celebridade dos líderes religiosos de tais movimentos.
            Os falsos pregadores da palavra de Deus têm tomado quase todo espaço dos verdadeiros ministros do evangelho libertador. Estão em quase todo o seguimento social.
            Bons pastores com as suas boas ovelhas sofrem com esses mercenários pregadores que adentram em nossos lares perturbando a nossa mente com a suas heresias.
            Todo o crente rebelde e sem caráter tem nesses pregadores seu verdadeiro pastor e ídolo.

            Alguns pregadores que falsificam a palavra do Senhor – principalmente pela TV e rádio – são escândalos para os pregadores honestos para a Igreja e para o mundo.
            A imagem que fica desses pregadores da mídia com seu luxo, glamuor,riqueza, soberba e poder mundano são de comerciante da religião.
            Tudo isso prejudica demais a propagação do evangelho verdadeiro e macula a imagem dos verdadeiros homens de Deus.

            Diz o pastor e teólogo Lourenço Stelio Rega: “Alguns pregadores desejam tomar posse da alma dos telespectadores como se conquistam um bem ou um produto”. Na realidade muitos demonstram estar interessados no bolso do futuro ‘’converso’’. Pregam o Evangelho e vende a salvação como se fosse mercadoria’’ (2). 
                                      

A MÃE DE TODO DESVIO

              Diz São Paulo Apóstolo: 
“Não somos como aqueles muitos quefalsificam a palavra de Deus’’. “São Paulo já tinha a revelação divina que  muitos os bandidos que ganham fortunas com a falsificação da palavra de Deus”.
              Segundo o estudioso Padre Oscar Quevedo,SJ, existem, só no Brasil, mais de 56 mil seitas e religiões.

             Existem mais de 33.800 dominações protestantes, segundo o pesquisador e ex-missionário protestante americano Dave Armstrong (3). 
            A poderosa indústria de falsificação da sagrada revelação do Senhor Deus é a maior corrupção e escândalo na história do cristianismo.
             Quantas traduções heréticas e interpretações maléficas. Como é vergonhoso o comércio da Bíblia. Ela é usada como a base para fundamentar a interpretação das doutrinas de homens, do demônio e dos dízimos e ofertas, com intuito de fazer a cabeça dos membros e dos visitantes a serem doadores em troca de bênçãos.

            O dízimo foi uma prática da Lei do Antigo Testamento e nós vivemos na Era da Graça de Cristo do Novo Testamento. Jesus, os apóstolos e principalmente Paulo, o maior teólogo escritor e missionário da Igreja de Deus, nunca ensinaram tal prática. A citação de Mt 23,23 está  fora do contexto da Nova Aliança, Cristo apenas recorda a Lei para os escribas fariseus, da mesma forma Hebreus  capítulo 7.

           O modo mais fácil de enganar e roubar o povo são em nome de Deus. As seitas crescem, falsos profetas e falsos pregadores ficam ricos com a falsificação da Bíblia, porque estão dentro do contexto da Sentença Latina:
 “VULGUS VULT DÉCIPI” – O POVO QUER SER ENGANADO OU GOSTA DE SER ENGANADO’’. Já foi profetizado pelo grande apóstolo de Cristo São Paulo que esses pregadores: “são lobos vorazes que não pouparão o rebanho e com pregações pervertidas” (Atos 20, 29.30).

            Hoje os tempos são mais belos e maiores para melhor comercializar em nome de Jesus. Onde está escrito no Novo Testamento a ordem de construir caríssimos templos? Fundar e dar nomes as denominações?
            O filósofo francês Luc Ferry disse: ‘’O capitalismo globalizado foi que no fim das contas, liquidificou e liquidou os valores tradicionais, ao exigir que tudo desemboque na lógica de mercado. É por causa do capitalismo globalizado que não existem mais ideais transcendentais e tudo se torna mercadoria. Pois, no mundo de hoje, nós consumimos de tudo, não simplesmente computadores e automóveis, mais também consumimos cultura, religião, escola, política, etc. (4).

            Depois do liberalismo teológico, dos cismas, é hoje a teologia da propriedade a pior heresia, na igreja pós-moderna. Ela é a mãe de todo o desvio eclesial, pastoral e teológico.
            Existe hoje uma tremenda incompatibilidade de comunhão entre os pastores devido à famigerada teologia da prosperidade e seu espaço nas denominações neopentecostais e até em denominações ditas históricas. Que o diga os pastores sérios e pobres que não podem participar de grandes e caríssimos eventos. Os pastores ortodoxos e pobres são excluídos dos ricos “pastores”, “bispos”, “apóstolos” com seus megatemplos. 
                                                   

 CONCLUSÃO

             “O mundo virtual estimula a criação de aparência sem conteúdo próprio’’, afirma a antropóloga Paula Sibilia no seu livro  “O Show do Eu’’.
              Cada vez mais é preciso aparecer para ser. A espetacularização tornou-se um modo de vida’’ diz Paula  Sibilia.
              Os pregadores da teologia da prosperidade e do mundo gospel estão dentro do ‘’reality shows’’.

              São toneladas de lixo virtual dos ensinamentos desses pregadores fraudulentos do evangelho da saúde, da riqueza e do triunfo.
              Seu modo de vida é de um teatro barato sem conteúdo e sem respeito para com Deus e sem para com seu semelhante. Sua espiritualidade é virtual.
             Esses pregadores só querem aparecer, esnobar, brilhar mais do que o Sol e promover a sua imagem com intenção de moeda de troca.

            A teologia da prosperidade tem o seu papel principalmente de desembocar, desprende no ser humano a ambição, a ganância e a idolatria pelas coisas terrenas.
            O mundo virtual, a onda gospel, a teologia da prosperidade com a sua falsificação da palavra de Deus são as nossas terríveis desgraças eclesiais e seculares atuais.
            Hoje mais do que nunca devemos atentar para sábias palavras  do nosso Mestre e o Senhor Jesus de Nazaré: “Atenção para que ninguém vos engane. Pois muitos virão em meu nome, dizendo: O Cristo sou eu, enganarão a muito’’. “E SURGIRÃO MUITOS FALSOS PROFETAS E ENGANARÃO A MUITOS” (Mt 24,4.11).

 
Pe.Inácio José do Valle
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta Redonda
E-mail.: pe.inaciojose.osbm@hotmail.co
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Notas
(1)            Valor, sexta-feira e fim de semana, 25,26 e 27 de julho de 2008, p.19.
(2)            Eclésia, janeiro de 2003, p.56.
(3)            Moura, Jaime Francisco. Porque estes ex-protestantes se tornaram católicos! São 
José dos Campos: Editora comDeus, 2006, p.18.
(4)            Valor, sexta-feira e fim de semana, 22, 23 e 24 de agosto de 2008, p.18.