segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O Papa renunciou!



Nesta segunda-feira, 11, dia de Nossa Senhora de Lourdes, fomos surpreendidos pela apresentação da renúncia do Papa Bento XVI. Ainda que o fato de algum modo nos entristeça, cabe neste momento, a nós católicos, rezarmos pelo Santo Padre e, ao mesmo tempo, elevar um Hino de Ação de Graças pelo feliz tempo em que ele conduziu a Barca de Pedro até o Porto Seguro que é Cristo, além de implorar humildemente ao Bom Deus que, no conclave que se aproxima, os senhores Cardeais, obedientes às moções do Espírito, possam escolher um digno e santo Pontífice. 
Ele nos apontou o Céu! Obrigado, Santo Padre!

Não é a primeira vez que um Bispo de Roma renuncia ao Papado. O primeiro a fazê-lo foi o Papa Ponciano no dia 28 de setembro do ano 235 sendo logo após preso pelo imperador romano e levado para uma pedreira onde morreu em consequência dos trabalhos forçados. A data da renúncia de Ponciano é o primeiro fato documentado com precisão de dia, mês e ano na História Eclesiástica.
O segundo a renunciar foi o Papa Bento IX com um papado conturbado, foi expulso de Roma em setembro de 1044, retornou ao papado em 10 de março de 1045, abdicou novamente em 1 de maio de 1045, retornando no mesmo ano, mais uma vez deposto em 24 de dezembro de 1046, retomando novamente a Sé Petrina em 8 de novembro de 1047 até ser expulso definitivamente em 16 de julho de 1048. Era uma época em que as famílias da aristocracia romana disputavam o poder dos Estados Pontifícios e o nepotismo grassava na Santa Sé: Bento IX era sobrinho do seu antecessor, o Papa João XIX, que por sua vez era o irmão caçula do seu antecessor o Papa Bento VIII.
O terceiro papa a renunciar à Sé de Pedro foi  São Celestino V, cujo nome de batismo era Pietro Del Morrone. Celestino era monge, considerado santo por todos e havia fundado uma ordem monástica dedicada a cuidar dos pobres e doentes. Foi eleito papa contra a sua vontade em 29 de agosto de 1294 e renunciou em 13 de dezembro do mesmo ano. Apesar de um homem de fé e vida ilibada, não se saiu bem no papado. Maxwell-Stuart, em sua obra Crónicas dos Papas (Ed. Verbo, 2004, p. 123), diz: “A santidade, tornava-se agora claro, não era suficiente. Justiça lhe seja feita, Celestino sabia-o, e cinco meses após a sua eleição abdicou.” Após sua renúncia foi eleito Bonifácio VIII.
O último papa que renunciou antes de Bento XVI foi Gregório XII (1406 a 1415), que viveu o chamado grande Cisma do Ocidente: além de Gregório XII, o papa verdadeiro, que morava em Roma, havia ainda Bento XIII, anti-papa eleito pelos cardeais em Avignon, e o antipapa João XXIII, eleito no “Concílio” de Pisa. Convocado o Concílio de Constança, o imperador do Sacro Império Romano Sigismundo pediu que o Papa e os dois anti-papas renunciassem, mas só Gregório XII renunciou e depois foi eleito o Papa Martinho V.
Há também os chamados papas demissionários cujas renúncias não são consideradas plenamente livres, mas fruto de pressões e oposições, fazendo com que, diante de uma iminente deposição, eles mesmos resolvessem, ainda que contrariados, renunciar. São tidos como demissionários, Martinho I em 653, Bento V em 964, João XVIII em 1009, Silvestre III em 1045 e os já citados Bento IX e Gregório XII.
A lição da História nos tranquiliza. A nossa Fé nos tranquiliza! Somos uma instituição humana, mas, sobretudo, divina. Cristo continuará nos conduzindo e um novo Sucessor de Pedro será escolhido pelo Espírito Santo. O Papa Bento XVI nos deixa um legado de homem de fé reta e sólida que soube conduzir bem a Igreja de Cristo em meio às tempestades e borrascas de nosso tempo, dando-nos exemplo de humildade e até de coragem ao reconhecer, em suas próprias palavras, sua “incapacidade de adequadamente cumprir o ministério a mim confiado”. Obrigado, Santo Padre! Que o Bom Deus sempre o proteja! Amém!
João Dias Rezende Filho é diácono da Arquidiocese de São Luís do Maranhão, bacharel em Direito, em Teologia e pesquisador.
e-mail: joaopecegueirodias@hotmail.com
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