quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Arcebispo Dom José Belisário comenta sobre renúncia do Papa Bento XVI



O Papa pode até ter uma fragilização física, mas não mental, diz o arcebispo Dom José Belisário



O anúncio da renúncia do Papa Bento XVI, na manhã desta segunda-feira (11), tomou de surpresa diversos setores da Igreja Católica, incluindo o Arcebispo de São Luís, Dom José Belisário.

"O Brasil não esperava por esta decisão. Estamos surpresos, apesar de que quando assumiu ele já tinha falado na possibilidade", conta o arcebispo.

Para Belisário, a figura de Bento XVI como líder máximo da Igreja vinha crescendo nos últimos anos e tomando um lugar especial no coração dos fiéis.

"O Papa João Paulo II (antecessor de Bento) era muito encantador e muitos achavam que quando outro assumisse haveria uma diferença muito grande. Após o Bento XVI ter assumido muitos notaram uma mudança, mas, apesar dele não ter o carisma que o João Paulo tinha, ele tinha uma diferença: as falas. A sabedoria que ele tem conquistava a todos", explica o Arcebispo.

Idoso
O alemão Joseph Ratzinger, 85 anos, assumiu o comando da Igreja Católica em 19 de abril de 2005, após a morte de João Paulo II. O alemão foi um dos cardeais mais idosos a ser eleito papa.

Em comunicado divulgado nesta segunda feira (11) pelo Vaticano, o papa Bento XVI justificou sua decisão de renúncia, alegando idade avançada e disse ter consciência da gravidade de seu ato e anunciou que deixa o pontificado no dia 28 de fevereiro deste ano.

"Na lembrança só temos uma historia de abdicação que foi o Papa Celestino V em 1294 em pleno o século XIV. Que também foi um impacto, ele era um monge e não conseguiu se adequar. A tradição é que o Papa não renuncie", explica Belisário.


Abdicação
A abdicação do papa é possibilitada no cânon 332 §2 do Código de Direito Canônico e no cânon 44 §2 do Código de Direito Canônico das Igrejas Orientais.

As únicas condições para a validade da renúncia são de que sejam realizadas livremente e manifestadas adequadamente. O direito canônico não especifica qualquer indivíduo ou entidade a quem o Papa deve manifestar a sua abdicação, deixando, talvez, em aberto a possibilidade de fazê-lo à Igreja ou ao mundo em geral. Mas alguns analistas sustentam que o colégio de cardeais, ou pelo menos seu Decano, deve ser informado, já que os cardeais devem estar absolutamente convencidos de que o Papa renunciou para que possam proceder validamente para eleger seu sucessor.

"As ações são diferenciadas ele não é Papa por obra nem por palavras mais por sofrimento, por oração", finaliza Belisário.

(Arleysson Rodrigo/O Imparcial online)