terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O protesto de Lutero e suas consequências

O protesto de Lutero e suas consequências

12 01 2011
 
Antes ser um dedo no corpo, que um olho arrancado do corpo
(Santo Agostinho – Séc IV)
Numa primeira etapa do nosso estudo, fizemos a divisão entre as religiões pagãs e as religiões judaico-cristãs. Depois falamos da diferença entre a religião judaica e a religião cristã. Por fim falamos da diferença entre a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Católica Ortodoxa. Pois bem, agora vamos entrar em um novo processo. A diferenciação entre a Igreja Católica e a Igreja Protestante. Devo dizer inicialmente que entre uma e outra existe uma diferença de 1.500 mais ou menos. Antes disso, todos eram católicos.
Pois bem. Depois de 1.500 anos de diferença, Martin Lutero criou a religião protestante. Uma religião que começou de um “Protesto”. Eu particularmente falando não chamo os protestantes de evangélicos, pois como nós católicos lemos, cremos e vivemos o evangelho também nós somos evangélicos. Não os chamo de crentes, por que também isso não os diferencia de nós. Também cremos em Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador. Chamo-os de protestantes, como muito respeito. Por que a religião surgiu de um protesto.
Sim amigos, tudo começou com um protesto do mesmo (Lutero) contra determinadas coisas que ele via de errado na Igreja e no proceder de certos padres e bispos. Daquilo que ele “protestou”, a Igreja viu que ele tinha razão em algumas coisas e não em outras coisas. As que a Igreja viu serem coisas verídicas, erros de pessoas da Igreja, atitudes que não condiziam com a fé, ela se pronunciou, mas no que diz respeito aos Dogmas de fé, a Igreja não podia ceder, pois isso seria negar a verdade revelada. O problema é que para Lutero, ou mudava tudo, ou estava tudo errado. Será que Deus iria permitir 1.500 anos de erros da Igreja que Ele declarou como sua?
Mas antes de continuar vale a pena responder: O que é um Dogma?
Um Dogma, simplificando bem para que você possa entender, é uma afirmação da Igreja que não admite contestação.
O Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando, utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária.
(CIC§88)
Para que a Igreja pronuncie um dogma, ela estuda por muitos anos, se reune muitas vezes, reza bastante, até que se chegue a uma conclusão. Ela não sai por ai criando dogmas a torto e a direita. A Igreja quando anuncia um dogma, ela está dizendo que é algo em que todos os católicos precisam acreditar e professar. Como por exemplo, a Eucaristia, que é algo em que todos nós católicos devemos acreditar. Se você não crê que Jesus está presente na Eucaristia, você não é católico. Conseguiu entender?
Com o tempo a Igreja foi estudando, rezando, dialogando até estabelecer um conjunto de dogmas.
Há uma conexão orgânica entre nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé que o iluminam e tornam seguro. Na verdade, se nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé…
(CIC§89)
O complicado é, depois de 1.500 anos caminhando ao lado de Cristo, ver aparecer alguém que sozinho, do nada, afirma que está tudo errado. Será que Nosso Senhor permitiria que a Igreja que Ele chamou de sua, caminhasse 1.500 na direção errada? Não amigos. O Senhor prometeu que estaria conosco todos os dias.  Agora de fato, Lutero via erros de pessoas da Igreja. Mas as pessoas fazem parte da Igreja. Elas não são Igreja. Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa (já dizia um amigo meu).
Porque é preciso como disse antes, entender e diferenciar Igreja dos membros da Igreja. A Igreja é Santa e Sempre será Santa. A Igreja foi fundada por Jesus Cristo. Nada de impuro sai Dele. Agora os membros da Igreja são pessoas. Como dizia o Diácono Nelsinho Correia: pessoas humanas. E estão em um caminho de santificação. Somos imperfeitos. As pessoas erram. Falham. E é comum vermos os erros de pessoas da Igreja. Aliás, temos facilidade de ver os erros de qualquer pessoa que está perto de nós. Só não conseguimos ver é os nossos. E quanto mais as pessoas estão em evidência, mais os erros aparecem. Como diz o ditado: só se atira pedra em frutos bons…
Não vos enganeis irmãos. Se não quereis sofrer uma decepção e desejais amar a vossos irmãos com sinceridade, sabei que todos os estados e profissões da Igreja tem sua porcentagem de farsantes… Há Cristãos  falsos, mas também há os irrepreensíveis.
(Santo Agostinho – Séc IV)
Gosto de um exemplo que ouvi: As vezes somos iguais a caranguejos dentro de uma lata. Não conseguimos sair da lata e quando estamos perto de o fazer, sempre vem algum caranguejo que está em baixo, que nos puxa pra baixo. Assim é a humanidade. Infelizmente isso faz parte daquilo que o pecado fez em nós. Nos torna egoístas e individualistas.
Por isso, não podemos acusar a Igreja de ser pecadora. A Igreja é santa. Mas dela participam pecadores. Até o Papa peca. Erra, confessa e se arrepende como todo mundo. O Papa só é infalível, assim ensina a santa Igreja nas questões de fé e de moral. Mas Ele não é Cristo. Essa Igreja é assistida pelo Espírito Santo e até hoje continua de pé.
Então Lutero protestou e afastou-se a Igreja. Criou a Igreja Protestante. Essa se dividiu em outras. A cada divergência, uma nova Igreja surgia. Algumas divergências sérias e complicadas. Outras tão banais que nem sequer imaginaríamos que pudessem ser motivo para uma divisão (como por exemplo ter cabelo grande ou curto, mulheres usarem ou não usarem saias, etc). Esse fenômeno hoje no Brasil se espalha largamente. A coisa mais normal hoje em dia é vermos Igreja “Tal e Tal”, e Igreja “Tal e Tal” Renovada. Hoje o termo renovada para os evangélicos, significa mais uma divisão e mais uma nova Igreja que surge. Igreja esta que tem um pastor, muitas vezes com um curso de teologia duvidoso (já ouvi até falar em curso de pastores por correspondência, mas não sei se isso procede). Enquanto os nossos sacertdotes se preparam por até sete anos, e procuram uma formação séria e condizente com a responsabilidade que vão ter em mãos, um pastor faz um curso de seis meses sabe lá onde, e já sai com o direito e o mérito de tomar conta de uma Igreja, de interferir na vida das pessoas, de ministrar “sacramentos”, e tantas outras coisas. Para você ter uma idéia veja o quadro abaixo:
Dominus Vobiscum