sexta-feira, 2 de novembro de 2012

As almas do Purgatório, não as esqueçais!

Posted: 01 Nov 2012 09:05 PM PDT







Os Terríveis Sofrimentos

O que os Santos Doutores ensinam acerca dos sofrimentos do purgatório nos penetram de tema com paixão pelas almas.

S. Boaventura ensina que nossos maiores sofrimentos ficam muito aquém dos que ali se padecem. São Tomás diz que o menor dos seus sofrimentos ultrapassam os maiores tormentos que possamos suportar. Confirmam Santo Ambrósio e São João Crisóstomo que todos os tormentos que o furor dos perseguidores e dos demônios inventaram contra os mártires, jamais atingirão a intensidade dos que padecem em tal lugar de expiação.

O fogo! Estremecemos só de lhe ouvir o nome. E estar-se no fogo inteiramente, num fogo ativo, penetrante, que vai até o início do ser - que cruel suplício.
Aquele fogo, diz S. Antônio, é de tal maneira rigoroso que comparado com o que conhecemos na terra, este se afigura como pintado num painel.

Após uma visão do purgatório, exclama Santa Catarina de Gênova. "Que coisa Terrível! Confesso que nada posso dizer e nem conceber que se aproxime sequer da realidade. As penas que lá se padecem são tão dolorosas como as penas do inferno".

É pior que todos os martírios, 0 Pe. Faber disse. Creio que as penas do purgatório são mais terríveis e insuportáveis que todos os males desta vida, diz São Gregório Magno.

S. Nicolau Tolentino teve uma visão de um imenso vale onde multidões de almas se retorciam de dor num braseiro imenso e gemiam de cortar o coração. Ao perceberem o Santo, bradavam suplicantes, estendendo os braços e pedindo misericórdia e socorro. Padre Nicolau, tem piedade de nós! Se celebrares a Santa Missa por nós, quase todas seremos libertadas de nossos dolorosos tormentos. São Nicolau celebrou sete missas em sufrágio dessas almas. Durante a última missa apareceu-Ihe uma multidão de almas resplandecentes de glória que subiam ao céu.


 A Duração das Penas

Assegura-nos S. Vicente Ferrer, que há almas que ficaram no purgatório um ano inteiro por um só pecado. Santa Francisca afirma que a maioria das almas do purgatório lá sofrem de trinta a quarenta anos. Muitos santos viram almas destinadas a sofrer no purgatório até o fim do mundo.

As almas simples e humildes, sobretudo as que muito sofreram neste mundo com paciência e se conformaram perfeitamente com a vontade de Deus, podem ter um purgatório muitíssimo abreviado, às vezes horas...
S. Paulo da Cruz, estando em oração, ouviu que batiam à porta com força. - Que queres de mim, pergunta.
- Quanto sofro. Quanto sofro, meu Deus! Sou a alma daquele padre falecido. Há tanto tempo estou num oceano de fogo, há tanto tempo!... Parecem mil anos!

São Paulo da Cruz o conheceu logo e respondeu admirado: Meu padre, faz tão pouco tempo que faleceu e já me falas em mil anos. O pobre padre pediu sufrágios e desapareceu.
São Paulo da Cruz, comovido, orou muito por ele e no dia seguinte celebrou a Missa pela defunto. Viu-o, então, entrar triunfante no céu, na hora da comunhão.

O Papa Inocêncio III apareceu a Santa Lutgarga dizendo que deveria ficar no purgatório até o fim do mundo por algumas faltas no governo da Igreja.

Nosso Senhor mostrou-lhe quatro padres que estavam lá já mais de cinquenta anos, por administrarem mal os Ss. Sacramentos.

Santa Verônica Juliani fala de uma irmã que deveria ali permanecer tantos anos quantos passou neste mundo.
Ao padre Scoof, de Louvain, foi revelado que um banqueiro de Antuérpia estava no purgatório há mais de duzentos anos porque tinham rezado pouco por ele.

Toma, pois, a resolução de jamais deixar passar um dia sequer sem rezar pelos parentes falecidos. Tem piedade daqueles que nos deixaram e que agora estão sofrendo. Pensa nos membros de tua família que faleceram e que tens deixado em tão lamentável e total esquecimento.


A Necessidade de Ajudar as Almas do Purgatório

Impotência para se acudirem

O estado das almas do purgatório é de absoluta impotência. Parecem-se com o paralítico estendido à beira da fonte de Siloé, que não podia fazer o menor movimento para ter alívio. Vêem suas companheiras de infortúnio, aliviados de tempos a tempos recebendo os frutos de uma comunhão, o valor de uma missa, e elas ficam esquecidas.

Vós que viveis na terra e tão facilmente vos comoveis ante o sofrimento e a idéia do abandono, ouvi as almas do purgatório pedindo-vos uma migalha desse pão que Deus vos dá com tanta abundância: uma pequena parte de vossas orações, boas obras, e sofrimentos! Como são justas as queixas que um religioso ouviu desses pobres corações abandonados.

"Ó irmãos! Ó amigos! Pois que há tanto tempo vos aguardamos, e vós não vindes; vos chamamos e não respondeis; sofremos tormentos que não tem iguais, e não vos compadeceis; gememos e não consolais".

Ai, dizia uma alma, ignora-se no mundo que o fogo do purgatório é semelhante ao do inferno. Se possível fosse fazer uma visita a essas mansões de dor, não haveria na terra quem quisesse cometer um só pecado venial, visto o rigor com que é punido.
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São Francisco Xavier percorria, à noite, as ruas da cidade, convocando com uma campainha o povo a orar pelas almas.
Outrora muitas almas saíam do purgatório graças às orações dos fiéis, mas agora poucas saem de lá. Poucos se preocupam com elas.
 

A Santa Missa Salva Almas

A Santa Missa é o sacrifício de expiação por excelência. É a renovação do Calvário, que salvou o gênero humano. Na Missa colocou a Igreja a memória dos mortos, e isso no momento mais solene, em que a divina Vítima está presente sobre o altar. É a melhor, a mais eficaz, a mais rápida maneira de aliviar e libertar as almas dos nossos queridos mortos.

Certa feita, celebrando a Missa em uma igreja de Roma, São Bernardo caiu em êxtase e viu uma escada que ia da terra ao céu, pela qual os anjos conduziam as almas libertadas do purgatório em virtude do santo sacrifício. Nessa Igreja - Santa Maria Escada do Céu - há um quadro que representa essa visão.

Não há maior socorro às almas, diz Guerranger, que a Santa Missa: A Missa é a esperança e a riqueza das almas.
Podemos duvidar do valor de nossas orações; mas da eficácia do Santo Sacrifício, no qual se oferece o Sangue de Jesus pelas almas, que dúvida podemos ter?

Ao Beato João D'Avila, nos últimos instantes de vida, Perguntaram o que mais desejaria depois da morte. Missas! Missas!
Ao Beato Henrique Suzo apareceu depois da morte um amigo íntimo gemendo de dor e a se queixar: "Ai, já te esqueceste de mim".

- Não, meu amigo, responde Henrique, não cesso de rezar pela tua alma, desde que morreste.

- Ó, mas isto não me basta, não basta! Falta-me para apagar as chamas que me abrasam o Sangue de Jesus Cristo.

Henrique mandou celebrar inúmeras Missas pelo amigo. Este lhe apareceu então já glorificado e lhe diz: "Meu querido amigo, mil vezes agradecido. Graças ao Sangue de Jesus Cristo Salvador, estou livre das chamas expiadoras. Subo ao céu e lá nunca te esquecerei”.

A cada missa, diz São Jerônimo, saem muitas almas do purgatório. E não sofrem tormento algum durante a Missa que lhes é aplicadas.

Seu Sacrifício também é uma Oração

Nossas Orações: Um meio fácil

Um movimento do coração, um olhar para o céu em sua lembrança, um suspiro de piedade, um pensamento de compaixão, os nomes de Jesus, Maria e José pronunciados com devoção em favor das almas, diminuem certamente suas penas.

Custa-nos muito pouco sufragar os defuntos. Somos obrigados a certas orações, a assistir Missas aos domingos, e aproximar-nos dos sacramentos, a perdoar nossos inimigos. Tudo isso é aceito por Deus e serve para alívio delas.

E os males do dia a dia? A fadiga do trabalho, as doenças, as humilhações, a tarefa de suportar os que nos rodeiam, os problemas, tudo isto pode servir para expiar os pecados das almas. E de que sofrimentos serão aliviados os finados!

Dizia S. Francisco de Sales: Vós que chorais inconsoláveis a perda de vossos entes queridos, eu não vos proíbo de chorar, não. Mas, procurai adoçar vossas lágrimas com o suave bálsamo da oração, que pode concorrer para as aliviar".

A oração de Marta e Maria leva Jesus a ressuscitar Lázaro. Nossas preces pelos defuntos hão de tirar as pobres almas daquele estado em que se encontram.

Poupai vossas lágrimas, dizia São João Crisóstomo, pelos defuntos e dai-Ihes mais orações. E Santo Ambrósio conclui: "É preciso assisti-Ias com orações do que chorá-las".

Nosso Senhor fez ouvir estas palavras a Santa Gertrudes: Muitíssimo grata me é a oração pelas almas do purgatório, porque por ela tenho ocasião de libertá-Ias das suas penas e introduzí-las no glória eterna.

Os testemunhos encontrados nas vidas dos Santos provam claramente as vantagens da oração que se fazem pelas defuntos! (S. João Damasceno)
Santa Teresa dizia que tudo obtinha por intermédio das almas dos fiéis.

Quando quero obter com certeza urna graça, diz Santa Catarina de Bolonha, recorro a essas almas que sofrem, a fim de que apresentem a Deus o meu pedido, e 1~ me é concedida a graça.

Nossos Sacrifícios

O sofrimento junto com a prece tem uma eficácia extraordinária para obter de Deus todas as graças. Aliviemos as almas do purgatório, diz São João Crisóstomo, com tudo que nos mortifica. Deus aplica aos mortos os méritos dos vivos.

Por aqueles que amais, sacrificai o que tendes de mais caro. Sacrificai-vos a vós mesmos. Ah, vejo essas almas felizes elevarem-se para o céu, nas asas de nossos sacrifícios, de nossas austeridades e sofrimentos, é o que diz o padre Belioux.
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O padre Jacques Monfort, S. J. escreveu um livro sobre a caridade para com as almas, e fê-lo imprimir em Colônia, por Guilherme Freysisen. tempos depois, ele recebeu uma carta do editor na qual narrava que seu filho e sua esposa tinham adoecido gravemente. Os médicos já tinham perdido as esperanças, e pensavam em funerais. Fui à Igreja e prometi distribuir cem exemplares do citado livro entre os padres a fim de lhes lembrar quanto se devem interessar pelos falecidos. No mesmo dia os doentes tiveram melhoras acentuadas e poucos dias depois estavam perfeitamente curados e tão sãos que o acompanharam à Igreja para agradecer a Deus tanta misericórdia.

Promete pois, em tuas dificuldades, propagar a devoção às santas almas e elas saberão ser gratas e o ajudarão.


A Gratidão das Almas

A ingratidão não pode existir no purgatório. Aquelas benditas almas nos hão de proteger e socorrer sempre.

O Cardeal Barônio conta que uma pessoa devota das almas foi terrivelmente tentada na hora da morte. Mas eis que uma multidão de pessoas veio em seu auxílio. Logo ficou livre de toda perturbação e perguntou: - Que multidão é esta que entrou aqui e na mesma hora senti alívio e fui socorrido pelo céu?
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O que fizerdes ao mínimo dos meus é a mim que o fazeis, diz o Senhor. Sereis medidos com a mesma medida que houverdes usado para com os outros. Deus é muito justo para deixar uma só ação sem recompensa e, recompensando como Deus, dá mais do que lhe deu.

Tudo o que damos por caridade, diz Santo Ambrósio, às almas do purgatório, converte-se em graças para nós e, após a morte, encontramos o seu valor centuplicado.

O purgatório é um banco espiritual em que podemos depositar quotidianamente nossas boas obras; e aí estão em seguro e se multiplicam; e quando estamos necessitados, daí vêm como viria o rendimento de um dinheiro depositado, a luz, a força, o auxílio que carecemos. Sejamos generosos; muito generosos.

Vantagens

Constituímos no céu um representante nosso que em nosso nome adora, louva e glorifica o Senhor.

Constituímos protetores nossos as almas por quem oramos, são Santas, é o que diz Suarez, essas almas caras a Deus. A caridade leva-as a nos amar... e intercederão por nós sem cessar.


As Almas Esperam por sua Ajuda

Como são esquecidos os mortos!

A Igreja, querendo que não nos esqueçamos das almas, consagrou um dia inteiro todos os anos à oração pelos finados. Determinou que em todas as missas houvesse uma recomendação e um momento especial pelos mortos. Ela aprova, sustenta e estimula a caridade pelos falecidos.

Como são esquecidos os mortos! Exclamava santo Agostinho! E no entanto acrescenta S. Francisco de Sales, em vida eles nos amavam tanto.

Nos funerais: lágrimas, soluços, flores. Depois, um túmulo e o esquecimento. Morreu... acabou-se!

Se cremos na vida eterna, cremos no purgatório. E se cremos no purgatório, oremos pelos mortos. O purgatório é terrível e bem longo para algumas almas.

S. Francisco de Sales tinha medo de seus admiradores. Essas pessoas, imaginando que depois da minha morte fui logo direto para o céu, me farão sofrer no purgatório.

Santa Tereza pedia: apelo amor de Deus, eu peço a cada pessoa uma Ave-Maria, a fim de Que me ajude a sair do purgatório e apresse a hora em que hei de gozar a vista de Jesus Senhor Nosso”.

O grande Frederico Ozanan, deixou estas linhas: "Não vos deixes levar por aqueles que vos disserem: ele está no céu! Rezai sempre por aquele que muito vos ama, mas que muito pecou. Com o auxílio de vossas orações eu deixarei a terra com menos temor" .Santo Agostinho pede orações pelas almas de Mônica, sua mãe, e todos os leitores de seus livros.

Não canonizemos depressa nossos mortos. Nunca nos descuidemos do sufrágio deles, por que já o fizemos durante algum tempo, ou mandamos :celebrar alguma.


Fonte:

Posted: 01 Nov 2012 03:25 PM PDT

Retirado do livro
Mês das Almas do Purgatório
Mons. José Basílio Pereira
 livro de 1943 
(Transcrito por Carlos A. R. Júnior)

LEMBRANÇA DAS ALMAS DO PURGATÓRIO
DIA 1 
A Vigília dos Mortos

 Acabo de ler a tocante denominação da festa de amanhã: Comemoração dos mor­tos, lembrança dos finados.
 A Igreja Católica não quer que sejamos ingratos e esquecidos, e por isso criou esta festa das recordações, festa pia dos corações amantes. 
 Sede bendita, Santa Igreja, que depois de nos terdes assistido até nossa hora derradeira e depois de nos haverdes cer­rado os olhos, ainda cuidais de nós: trazendo-nos à lembrança daqueles que em vida tanto amamos, e dando-lhes os meios de nos aliviarem e até obrigando-os a pensar em nós!

 Os hereges abandonam os seus, quando a morte lhos arrebata: desde que cessam de vê-los, não se interessam mais por eles. Para os descrentes e hereges tudo se acaba nessa hora: não podem oferecer mais nada a seus mortos e, se, no momento da separação, não ousam julgar admi­tido no céu o companheiro que perderam, desde logo cessou tudo, só lhes restam as lágrimas! 

 Ah! as lágrimas são para os vivos, desafogam o coração, mas, sem as orações, as lágrimas de nada servem aos mortos. 
Sede, pois, bendita, Santa Igreja Católica! Sede bendita por nos trazerdes, no meio das agitações de nossa vida material, como um eco de além-túmulo, esse grito tão tocante em sua simplicidade:
 «Tende compaixão de nós, vós ao menos, ó amigos de outrora, porque a mão do Senhor se descarregou sobre nós.» 
 Sede bendita Santa Igreja Católica, por nos dardes os meios de sermos úteis àque­les que Deus chamou a si. 
 Se a crença no Purgatório não existisse, o coração humano, pela voz de suas mais íntimas necessidades e de seus mais nobres instintos, o inventaria, fosse embora só para suavizar a morte e para fazer a luz na tristeza e no crepe dos funerais. Antigamente, em algumas comunidades religiosas, deixava-se desocupado na capela e no refeitório, durante quarenta dias, o lugar de um irmão que falecia: na capela faziam-se-lhe as saudações do cos­tume, como se ele fôra presente; dava-se-lhe o ósculo de paz, e se dizia em sua di­reção o requiescant in pace do ofício coral.

 No refeitório serviam-lhe sua ração diária e, todos os dias, acabada a refeição comum, vinha um pobre comê-la de joe­lhos, orando pelo finado. 

 Nós desejamos também, durante este mês, convidar-vos para o nosso lar, ó mortos queridos! queremos ocupar-nos de vós, orar convosco, trabalhar convosco! 
Daremos igualmente aos pobres, pelo repouso de vossa alma, a parte que vos tocaria em nosso labor cotidiano.

(links no blog Almas Devotas)

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Trecho extraído do livro - Mês das Almas do Purgatório - Mons José Basílio Pereira - 10a. Edição - 1943 - Editora Mensageiro da Fé Ltda. - Salvador - Bahia
Créditos ao excelente blog http://almasdevotas.blogspot.com.br/