sábado, 11 de dezembro de 2010

LUTO - Morre menino que contraiu pneumonia no Socorrão II

Morre menino que contraiu pneumonia no Socorrão II

Gustavo Augusto ficou internado por 48 dias no hospital por causa de uma crise convulsiva.
Diego Torres/ O Estado

SÃO LUÍS - Morreu ontem (10), no Hospital Clementino Moura (Socorrão II), Gustavo Augusto Silva Costa (7 anos). Ele contraiu pneumonia naquela unidade de saúde, permaneceu internado durante 48 dias e teve seu quadro clínico agravado após uma infecção generalizada. O diretor do hospital, Ademar Bandeira, atribuiu a causa da morte da criança à pneumonia e ao choque séptico.
De acordo com Claudete Pletsch, amiga que acompanhou a luta da mãe, Maria Verônica Cruz da Silva (27 anos), a criança estava internada desde o dia 23 de outubro no Socorrão II, em virtude de uma crise convulsiva. Desde o primeiro dia em que Gustavo foi internado no hospital, seu quadro clínico piorou. Menos de uma semana depois da internação, um exame identificou que ele contraiu pneumonia e uma grave infecção hospitalar, mas mesmo assim permanecia "no colo da mãe em um banco de concreto, junto com nove crianças, com seus acompanhantes", afirmou Claudete Pletsch.
A revolta da família e dos amigos com o hospital é ainda maior, porque foi o agravamento da infecção que impossibilitou a transferência para o Hospital Dr. Juvêncio Mattos. "Nós já havíamos conseguido tudo. Já tínhamos um leito aguardando a chegada de Gustavo, mas em razão da infecção, em estado muito avançado, os diretores do hospital informaram que ao primeiro sinal de melhora ele seria transferido para que não comprometesse a saúde dos demais pacientes do (hospital) Juvêncio Mattos", explicou a amiga.
No dia 17 de novembro, a situação da criança e de sua família foi mostrada em O Estado. Ele permanecia sob os mínimos cuidados da equipe de médicos e enfermeiros do Socorrão II. "Eu tive de dar uma de doida para meu filho poder ficar num leito um pouco melhor", informou Maria Verônica à época. Na mesma reportagem, a mãe afirmou que seu filho entrou no Socorrão II com um problema e sairia com outros piores.
Segundo o diretor-geral do Socorrão II, o médico Ademar Bandeira, o prontuário médico de Gustavo indicava paralisia cerebral, epilepsia e a suspeita de pneumonia, informação contestada pela mãe. "O único problema que meu filho apresentava era a crise convulsiva, nada mais que isso", rebateu Maria Verônica.
Superbactéria
Ademar Bandeira descartou a possibilidade de contaminação pela bactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase, (KPC). Ele disse que seria irresponsabilidade dos médicos se houvesse a mínima suspeita e o menino fosse mantido fora do isolamento. "Se o Gustavo estivesse com a KPC não haveria a menor possibilidade de mantê-lo apenas em um leito de UTI. Se isso acontecesse, ele já estaria em isolamento", enfatizou Bandeira.
Já o superintendente de Vigilância Sanitária, Arnaldo Melo Garcia, preferiu ser mais moderado e embora não tenha descartado a possibilidade de contaminação, afirmou que somente após uma nova vistoria e com base em relatórios, refutaria a inexistência de KPC no Socorrão II. "Mesmo com a afirmação de não contaminação no Socorrão II, será enviada uma equipe técnica da Vigilância Sanitária àquela unidade, para, somente depois de realizados todos os exames, descartarmos a existência da superbactéria lá", finalizou o superintendente.

FONTE:http://imirante.globo.com/noticias/2010/12/11/pagina261566.shtml